O baixo Ibope do debate
Faltando menos de dois meses para o primeiro turno das eleições que definirão o próximo presidente do País, o brasileiro parece não estar muito preocupado em ouvir as propostas dos candidatos. O primeiro debate entre os quatro mais bem colocados nas pesquisas eleitorais, realizado pela TV Bandeirantes, na noite da última quinta-feira, perdeu feio em audiência para um jogo de futebol e para duas novelas - uma delas exibida em 1990.
A marca de 3 pontos no Ibope foi a pior dos últimos três debates presidenciais realizados pela emissora. Significa dizer que enquanto 1,8 milhão de televisores estavam sintonizados na semifinal da Taça Libertadores, apenas 165 mil acompanhavam o embate entre os candidatos. O número de telespectadores se torna ainda menor se considerarmos que totalizamos 135 milhões de eleitores.
Apesar da falta de embate entre os candidatos em torno das propostas às vezes até pareciam falar sozinhos diante de respostas evazivas aos questionamentos os debates e as entrevistas com os candidatos podem dar uma luz ao eleitor preocupado com o voto.
A baixa audiência do debate pode ser encarada como reflexo direto do desinteresse da população sobre a política nacional, decorrente da desconfiança gerada pela série de escândalos que envolvem a categoria. Pode-se ainda somar a esse descrédito, a desatenção do setor público com a população cansada da falta de segurança, saúde e educação de qualidade, e das altas cargas de impostos. Mas diante de tudo, o que não se pode admitir é que se abra mão do direito de escolhermos conscientemente.





