O baixo ganho de servidores fundamentais
São agora os servidores do Quadro Próprio do Poder Executivo Estadual (QPPE) que reivindicam melhoria salarial, e eles planejam grande mobilização para a próxima quarta-feira, inclusive com indicativo de greve. O pleito tem base no que recebem os funcionários similares da Assembléia Legislativa, e ficou mais acirrado depois que a Casa aprovou resolução interna dispondo sobre os salários do quadro efetivo de seu pessoal. Como estabeleceu-se uma diferença entre os dois quadros, obviamente que a disputa se instalou. E com razão, porque, por exemplo, um jardineiro da Assembléia passou a ganhar R$ 1.344 enquanto um viveirista do Instituto Ambiental do Paraná inicia a carreira com minguados R$ 228. Se R$ 1.344 já é pouco, imagine-se R$ 228! A discrepância segue esse diapasão, e se é certo que segmentos dos dois poderes aurem de folgados vencimentos e ainda dispõem de mordomias, para não falar dos assessores que pouco produzem, a vala comum dos servidores ganha muitíssimo mal. Não são poucos os servidores do QPPE e sim 20.078, e se entre estes há eventualmente casos de baixa produtividade geralmente encontráveis na função pública percebe-se logo que seus ganhos são baixíssimos. Professores do ensino fundamental têm rendimentos que chegam aos rasteiros R$ 350 ao mês, e um professor universitário estadual, como mais de 20 anos de carreira, recebe menos de R$ 1.000/mês por 40 horas semanais. Mais não será preciso comentar, e no dizer de uma professora, ''resta todos se abraçarem em dolorosa união e chorar''. Naturalmente que resta muito mais, que é a constante luta por modificar tão dramática realidade, e isto sobretudo os professores têm feito, e resta uma tomada de consciência dos governantes. Porque, se é certo que o dinheiro escasseia nos cofres públicos e que são muitos os servidores a atender, impera no geral um mau gerenciamento na administração pública, com muito desperdício em certos setores e gastos exagerados em outros. Uma política de dispensa de gente inoperante e desnecessária e o desmonte de infra-estruturas custosas, sem grande serventia, promoveriam um saneamento no sistema e propiciariam fórmulas de melhorar o ganho dos servidores realmente operosos e indispensáveis, destacadamente das áreas do ensino, da saúde, da pesquisa, da segurança e algumas outras essenciais. Uma nação poderosa se constrói pela via de boa qualificação e de bons salários, porque tudo o mais se resolverá por acréscimo. A máquina pública brasileira é onerosa, mas não certamente pelo ganho dos professores públicos, dos servidores da saúde, dos agentes básicos da segurança e no geral desse pessoal do QPPE. O ônus mais pesado está em outro prato da balança, e nesse recepiente reside também a corrupção, esta não escolhendo setor para se instalar.





