O aviso que vem do Rio
Esta FOLHA publica hoje reportagem de Elaine Souza sobre o avanço da tecnologia para blindagem de carros - dos pneus ao teto. Uma demonstração de competência da engenharia brasileira e seus técnicos. O leitor vai ver também que há muitos veículos blindados rodando pelas cidades do Paraná. Mais do que se pensa. É a indústria, gerando emprego, protegendo as pessoas.
Só isso? Não. Não podemos perder de vista que estamos vendo apenas uma parte da grande distorção brasileira. A omissão do Estado, que cria problemas, corrigida pela presença da livre iniciativa, que cria soluções. Simplificando: problemas públicos, soluções privadas.
Há um cenário de guerra no Rio de Janeiro. Tardiamente os governos populistas reconhecem que não se pode ter contemplação com o crime. Pergunta-se: o governo do Paraná não se incomoda com as imagens de uma cidade conflagrada? O leitor da FOLHA não deixa passar em branco e alerta: Bandido em fuga é bandido na ativa. Então desconfia: se nessa debandada os criminosos resolvem buscar cidades mais frágeis em termos de segurança?
Seis anos atrás, esta FOLHA escreveu: O Paraná precisa de um projeto preventivo de segurança para não ser surpeendido quando a bandidagem descer os morros cariocas. Quase três anos atrás, denunciamos a presença de membros do PCC em Londrina. O governo do Paraná, na oportunidade, preocupou-se mais em negar o fato e contestar a FOLHA do que em apurar se realmente a denúncia tinha fundamento. Ônibus queimados recentemente também não assustaram o governo de Curitiba.
Carros blindados em tempo de guerra para restaurar a segurança parece propaganda do produto. Mas a pergunta é outra: todos vamos blindar nossos carros para ter a liberdade de ir e vir? Afinal, em nossas moradias já garantimos a nossa liberdade relativa. Ricos e pobres; classe média ou operária estamos como aquele comerciante da esquina: atrás da grade protetora. Ainda bem que a chave é nossa.





