O total de casos confirmados de dengue e zika ratifica a afirmação do ministro da Saúde, Marcelo Castro, que o Brasil está perdendo a batalha para o mosquito Aedes aegypti. Transmissor da dengue, zika e da febre chikungunya semanalmente milhares de brasileiros são confirmados com a doença. Só para se ter uma ideia do tamanho do problema, até o final do mês passado o número de notificações de dengue era 48% maior na comparação com o mesmo período de 2015. Vale lembrar que naquele ano foi registrado recorde com cerca de 1,6 milhão de registros.
No Paraná o mosquito também não dá trégua. Boletim epidemiológico divulgado ontem pela Secretaria de Estado de Saúde mostrou avanço de 75% no número de casos confirmados de zika. Em apenas uma semana saltou de 48 para 84 o total de pessoas infectadas pela doença; o número de casos autóctones aumentou de 15 para 38. No entanto, o fator mais preocupante é a confirmação de oito gestantes infectadas pela zika. A confirmação dos casos mostra que o vírus está presente em praticamente todo o Estado, como aponta reportagem de hoje. No caso de gestantes, a preocupação é a relação já comprovada entre o vírus zika e o aumento, no Brasil, de nascimento de bebês com microcefalia.
Como se o cenário todo não pudesse piorar, vários municípios enfrentam problemas para combater a doença. O inseticida, utilizado nas aplicações de fumacê, está em falta. O produto é distribuído pelo Ministério da Saúde que, por conta da alta demanda, não tem conseguido atender a todos os pedidos. É inadmissível que em um período crítico como o enfrentado atualmente pelo País falte esse tipo de produto, que auxilia no combate ao Aedes.
É claro que a população precisa fazer a sua parte e manter limpo o ambiente e sem água parada. No entanto, o papel principal tem que ser exercido pelo poder público, que não pode se esquivar de sua função. É dever do Estado combater o mosquito e isso não pode ser abdicado.

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