O avanço da reforma trabalhista
A tensão marcou a votação da reforma trabalhista no Senado, em sessão conturbada nessa terça-feira (11). Senadoras da oposição ocuparam a mesa do plenário, incluindo a cadeira do presidente, obstruindo o início da votação daquela que é uma das principais bandeiras do governo Michel Temer. Participaram do protesto Gleisi Hoffmann (PT-PR), Fátima Bezerra (PT-RN), Ângela Portela (PT-ES), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Lídice de Mata (PSB-BA), Regina Sousa (PT-PI) e Kátia Abreu (PMDB-TO). O presidente do Senado, Eunício Oliveira, do PMDB do Ceará, revidou. Suspendeu a sessão, mandou apagar as luzes e desligar os microfones e o ar-condicionado. A ocupação durou do final da manhã até o início da noite, quando finalmente Oliveira conseguiu negociar a saída das senadoras. A manifestação teve momentos peculiares: as congressistas transmitiram o protesto pelas redes sociais, fizeram selfies, gravaram vídeos e "comeram marmita". Protestos fazem parte do regime democrático, que considera como valores essenciais a liberdade de expressão e a participação da população na tomada de decisões. E o voto é a ferramenta dessa participação cidadã. O mesmo vale para o Congresso: é pelo voto que se chega ao caminho para solução de toda crise e impasse. Era isso o que se espera das nossas instituições: o debate de propostas e não a imposição de ideias, por força ou por intimidação. Depois de toda a confusão e dos trabalhos suspensos por mais de cinco horas, o Senado aprovou o texto principal por 50 votos a favor e 28 contra. É nítido que a manobra da oposição teve um forte viés político. A aprovação da reforma é uma vitória significativa para o presidente Temer neste momento em que a denúncia de corrupção contra ele está tramitando na Câmara dos Deputados.





