O aumento salarial de R$ 87
Ganhos mais altos dos trabalhadores irão, indiscutivelmente, aquecer a economia, porque é dessa condição que a prosperidade se alimenta. Sob esse aspecto, é benéfico o aumento proposto de R$ 87 para o salário mínimo paranaense, como deseja o governador Roberto Requião. A questão começa hoje a esquentar a pauta da Assembléia Legislativa. Há os que temem que a medida possa gerar desemprego, principalmente no meio rural. Como, em princípio, os servidores públicos não estão incluídos embora uma possível emenda venha a contemplá-los e como as empresas no geral já pagam acima dos R$ 437 propostos, o número estimado de beneficiados é de 490 mil. A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) já declarou que, se esse mínimo regional for aprovado, ingressará na Justiça para barrá-lo. O que preocupa é a possibilidade de que, seguindo um pragmatismo brasileiro, as empresas demitam empregados ou passem a repassar o custo adicional para os produtos e serviços. Este é também um mal nacional o das prontas medidas de reação nesses casos, nem sempre justificadas. Cálculos minuciosos precisam ser feitos, porque se o acréscimo é de apenas R$ 87 em relação ao salário nacional de R$ 350 que não se puna empregados e nem se lance aumentos aleatórios sobre as mercadorias antes de avaliar quanto o item do salário incide no custo operacional da empresa. Será preciso a Assembléia ouvir não apenas a Fiep e a Força Sindical mas também especialistas em contas, para que a questão que é técnica não passe a depender apenas de posições político-partidárias. Grandes empresas serão pouco atingidas, por já pagarem acima dos R$ 437. Salários altos só beneficiam a economia, porém, no Brasil, teme-se pela recorrência a demissões o que caracteriza ausência de participação na questão do desemprego, causador de grandes males sociais e que não é atribuição apenas do Governo, e teme-se por uma corrida de aumento de preços finais. A questão não reside, portanto, nos R$ 87 a mais (e o correspondente em encargos tributários) mas em atitudes não muito patrióticas como essas, embora reconhecendo-se que a empresa empregadora é a que segura a barra neste país. Uma luta que os deputados devem travar é pela redução da exorbitante carga tributária sobre as empresas, assim como dos encargos sociais que o Governo cobra sobre os salários, um dinheiro que poderia ser revertido para o trabalhador. Também devem batalhar embora uma incumbência dos colegas federais pela reforma da legislação trabalhista em seus pontos desestimuladores do emprego. No caso do salário mínimo regional, é preciso que a oposição e a situação não votem contra ou a favor só porque é um projeto do Governo estadual o do PMDB do governador, em ano aleitoral, antepondo-se ao PSDB do presidente da Casa, Hermas Brandão, e ao PFL do presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Durval Amaral, agentes importantes no processo. Há algo acima disto em discussão.





