O aumento do número de vereadores
A discussão em torno do aumento do número de vereadores ainda vai render muita polêmica. De um lado está a população, terminantemente contrária à inclusão de mais cadeiras na Câmara Municipal. De outro, estão os atuais legisladores que, embora sem assumir publicamente, são favoráveis ao aumento de pelo menos mais duas cadeiras, passando dos 19 atuais para 21.
Pesquisa divulgada ontem pela FOLHA revela que a maioria dos londrinenses não aprova o aumento de vereadores. Entre os entrevistados, 82,5% acreditam que a atual configuração deve permanecer. Conforme prevê a Emenda Constitucional 58 de 2009, municípios com população entre 450 mil e 600 mil habitantes podem contar com 25 vereadores. Segundo o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Londrina tem 506.701 habitantes.
É importante salientar que o orçamento do Legislativo não terá qualquer alteração. Isso significa que o Executivo deverá manter o repasse de 4,5% do total do orçamento municipal para a Câmara. No entanto, não convence o argumento de que as despesas permanecerão no mesmo patamar. Custos com salários de vereadores e seus assessores, fotocópias, telefone, energia elétrica e água certamente terão aumento. A diferença, no entanto, deve ficar entre o montante devolvido ao Município, uma vez que as Casas devem repassar a verba não utilizada para reaplicação em outros setores da administração. Certamente, esse valor irá diminuir.
A rejeição à Emenda Constitucional reflete a má imagem que a classe política, no geral, tem junto à população. Denúncias de corrupção e de desvios de recursos públicos são bastante comuns em todas as esferas dos governos e o noticiário reflete isso diariamente. É preciso um basta. A sociedade está cansada dessas atitudes.
No entanto, para que o aumento do número de vereadores não seja aprovado é preciso articulação. A sociedade deve se mobilizar contrariamente à aplicação da lei e obviamente dar a resposta nas urnas. As eleições municipais se aproximam, mas aí temos outro cenário desolador: a maioria sequer se recorda em qual candidato votou no último pleito. É passado o momento de mostrar maior interesse pela vida política do Município, do Estado e do País sob pena de perder o direito de reclamar posteriormente.





