Por ser um grande produtor de alimentos e capaz de continuar aumentando o volume de produção – que vem crescendo a cada safra – o Brasil será um dos grandes beneficiados pela elevação do consumo alimentar no mundo. O aumento do preço de todos os gêneros alimentícios – se também atinge o consumidor interno, como já ocorre – vai movimentar no correr deste ano 1 trilhão de dólares, no mundo, em importação de comida. O Brasil, se muito exporta alimentos, é também importador, caso do trigo, só para citar um dos itens. Por isso também figura naquela conta.
  Não há indicativo de que os preços venham a cair, porque não se trata, no caso, de escassez de produção mas de aumento de consumo mundial.. Os países produtores mais destacados, Brasil entre eles, têm aumentado a cada ano o volume de safras. Os Estados Unidos terão sua maior colheita de trigo dos últimos dez anos, e a União Européia – que é grande importadora – também terá um substancial aumento de produção alimentar. No caso do arroz, que figura todos os dias à mesa de metade da humanidade, o mundo produzirá mais durante 2008 do que a demanda. Mas, em face de algumas barreiras às exportações, haverá pontos em que esse cereal escasseará, com a cotação mantendo-se em alta.
  A FAO, organismo das Nações Unidas para a alimentação, alerta que o impacto da subida dos preços será significativo e irá prejudicar os povos mais pobres. Que terão de pagar mais para comer, e como a renda nesses núcleos não acompanha o compasso de alta, haverá problemas de baixa alimentação, de subnutrição e até de fome mais crônica, especialmente onde esse fenômeno já se manifesta hoje. Um paradoxo, havendo tanta produção de alimentos. Porque, se em alguns países densamente povoados o padrão de vida melhorou, muitos ainda não saíram do patamar da miséria extrema.
  A FAO recomenda aos governantes do mundo, sobretudo dos países produtores em grande escala – e aí cita-se mais uma vez o Brasil como um dos países privilegiados – que ajudem essas economias mais debilitadas. Já não se trata de apenas tirar vantagens com a venda de alimento mas atentar para a questão humanitária. É oportuno mencionar que, com safras abundantes e produzindo infinitamente mais que a necessidade de consumo, também no Brasil há grande contingente de subnutridos, porque lhes falta renda para comprar comida suficiente. Outro paradoxo.
  Mesmo que essa situação se reverta, ainda assim o Brasil produzirá com sobras, até para exportar. Porque a tecnologia não deu a última palavra e ainda há muita terra por explorar. O momento é de boa perspectiva para o agronegócio. Que deve voltar a atenção também para o apelo humanitário da FAO.

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