EDITORIAL -

O aumento da procura por vagas em escolas públicas


Folha de Londrina
Folha de Londrina

O impacto que a Covid-19 representa para a saúde e para as escolas mantidas pelo poder público vai além do atendimento às vítimas do novo coronavírus e da suspensão das aulas presenciais. No rastro da destruição causada pela pandemia, os governos terão que absorver as famílias que não tiveram mais condições de pagar planos de saúde e mensalidades escolares.

 

Nesta edição, a FOLHA mostra que o impacto da crise já chegou na rede pública de ensino e escolas municipais e estaduais de Londrina e região metropolitana começaram a receber uma procura maior de matrículas já para este exercício.



 

Em Londrina, o número saiu de 8 a 10 transferências ao mês no ano anterior para 65 em abril e 78 em maio. Em entrevista à reportagem, a secretária municipal de Educação, Maria Tereza Paschoal de Moraes, lembrou que as crianças com mais de 4 anos têm direito ao ensino público e gratuito. Portanto, os novos alunos têm vagas asseguradas. Mas as famílias terão que se adequar às instituições que têm disponibilidade. Isso quer dizer que não será possível escolher local e período.  

 

Conforme a reportagem, o mesmo acontece em Cambé, Rolândia e Ibiporã. Cornélio Procópio e Arapongas não observaram aumento significativo das transferências de estudantes da rede particular para a pública.

 

Mas a secretária de Educação de Ibiporã, Maria Margareth Coloniezi, mostrou preocupação com a situação, dizendo que restam poucas vagas e que se houver um aumento acentuado da demanda o município terá dificuldades em acomodar todas as crianças.

 

A questão é muito complexa e envolve vários aspectos. O setor de educação em Londrina representa uma área estratégica da economia, como colocou o professor Paulo Brene, da Uenp (Universidade Estadual do Norte do Paraná), lembrando que é um grande gerador de empregos e salários. O enfraquecimento do setor é muito ruim para a região e é preciso pensar em soluções para preservá-lo.

 

Educadores e economistas ouvidos pela FOLHA aconselham que neste momento a melhor saída é que pais e escolas negociem as mensalidades antes de optarem pela transferência.

 

Rosana Pereira Lopes, professora do departamento de Educação da UEL (Universidade Estadual de Londrina), justificou que trocar a criança de escola impacta a própria família, o poder público, a escola que perdeu o aluno e, principalmente, a criança que sofre com a mudança. Nesse momento, ela está sofrendo com o rompimento inesperado da suspensão das aulas presenciais e do distanciamento dos amigos e professores. O retorno em uma escola diferente certamente provocará um pós-Covid ainda mais duro.

Em períodos de tranquilidade ou de crise, a educação sempre será um fator de desenvolvimento de um país.

 



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