A revista Veja faz um relato sombrio acerca do desmatamento contínuo e das queimadas na Amazônia, e espera-se que, pelo poder desse veículo de comunicação, as autoridades governamentais sejam sensibilizadas para esta triste realidade. Os números mostram devastação em alta, conforme levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que detectou a derrubada de 7 mil quilômetros quadrados de mata só de agosto a dezembro de 2007. Isto significa retirada de madeira e queimadas (que poluem a atmosfera) e a destruição também de espécies da fauna.
A publicação relata que, para fiscalização, os dados que os satélites fornecem pouco servem para reprimir a devastação, porque o Ibama conta com apenas 644 fiscais em toda a Amazônia, número insuficiente em contraste com os existentes no Estado de São Paulo, que somam 2 mil. E quando o satélite enxerga o desmatamento ou o fiscal encontra uma área destruída, na maioria das vezes não se consegue responsabilizar o desmatador, por ser impossível saber de quem é a propriedade. O Governo garante que o desmatamento está sob contrôle mas a realidade mostra o contrário: que a devastação aumentou. É a mentira oficial, presente neste e em tantos outros casos. Diz a revista que no fim da década de 60, sob a justificativa de que era preciso ocupar a Amazônia para evitar sua transnacionalização, os governos militares distribuiram terras e subsídios a quem se dispusesse a se embrenhar na floresta. Pequenos agricultores e pecuaristas foram atraídos, e desde então a pecuária floresceu onde só havia atividade extrativista. A afirmação dos repórteres Leonardo Coutinho e José Edward é estarrecedora: em razão de um ranço ideológico, o Incra persegue os agricultores que deixam a floresta em pé. Atualmente 36% do gado bovino e 5% das plantações de soja do Brasil encontram-se na região amazônica.
A revelação é que a Amazônia já perdeu 17% de sua cobertura original. Os governos pouco têm se importado com isso e nunca fizeram um projeto para aquela região, que é um patrimônio da humanidade em poder do Brasil, e mal administrado. Até que, eventualmente, a cobiça estrangeira ou os movimentos preservacionistas do mundo se apossem de seu controle. Na venda da madeira há muita ‘‘legalização’’ forjada, e na verdade – como Veja atesta – o desmatamento não é proibido em nenhum dos nove Estados que formam a Amazônia. Teoricamente só estariam a salvo os territórios ocupados por reservas ambientais e terras indígenas. Mas só teoricamente, porque essas áreas estão coalhadas de posseiros. Que não estão ali em férias. Conclui-se que a Amazônia, que tem leis reguladoras, é uma ‘‘terra sem lei’’. Impera a certeza da impunidade, e este é um mal brasileiro em todos os setores onde haja corrupção nas áreas governamentais.
Movimento que ora se realiza no Rio de Janeiro, capitaneado por artistas em defesa das florestas, visa recolher 1 milhão de assinaturas (e já está quase chegando lá) e converte-las em documento público para ser enviado ao Congresso Nacional. A mira aponta para a ação das Forças Armadas como solução salvadora, já que dispõem de 320 mil homens e todo o arsenal bélico. Mas será preciso que a Presidência da República ordene essa operação.

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