O atendimento falho da saúde
Pela propaganda oficial, tudo vai bem com o sistema de saúde pública no Paraná, mas basta que ocorra uma emergência ou surto de uma doença para que a verdade se revele e mostre como a população está desprotegida. O próprio seguro particular de saúde só corre às mil maravilhas enquanto o contribuinte utiliza apenas o serviço de consultas. Se forem necessários exames mais complexos ele tem que arcar com pagamento adicional, que não é baixo.
Já se vão sete meses que o município de Santa Isabel do Ivaí é vítima do maior surto de toxoplasmose ocorrido no mundo, e a situação de gravidade não se alterou nesse período porque a população continua mal assistida e não é orientada sobre a doença. Nem se cuidou do simples caso do reservatório de água contaminada que gerou o protozoário causador do mal, onde viviam gatos com a peste e a alastraram. A localidade vive situação de desespero porque a toxoplasmose gera sintomas semelhantes aos de gripe forte, causa muita dor, provoca aborto e dificuldade respiratória, prejudica a visão e pode levar à cegueira.
No caso de emergência agora ocorrido em Londrina, com queimados, percebeu-se que nem a cidade e nem o Estado possuem suficientes centros especializados para atender a essas situações. A Secretaria de Saúde do Estado afirma que o rigor imposto pelo Ministério da Saúde na regulamentação desse tipo de atendimento é uma das razões para os hospitais não se credenciarem para o serviço.
Então, por conta dessa rigidez, os acidentados com queimaduras são punidos. Apenas um hospital no Estado, sediado em Curitiba, dá atendimento a queimados, mas dispõe de somente 22 leitos para adultos e 13 para crianças. Segundo a mesma fonte oficial, o investimento para um centro de atendimento dessa natureza é muito elevado e necessita de mais equipes profissionais capacitadas. Então, que os queimados sofram!
Estranha que, pelo elevado nível a que chegou o Paraná em tantos setores, só uma emergência no caso dos queimados veio demonstrar como o Estado é falho no setor. E, no episódio do surto de toxoplasmose, constatou-se como é carente a infra-estrutura existente. Os cidadãos têm de pagar com o sofrimento literalmente na própria carne para que as deficiências aflorem, mas parece que nem isso sensibiliza os governantes. Veja-se o triste exemplo do que ocorre em Santa Isabel sete meses depois da erupção do surto.





