Os oito anos que faltam são poucos para o Brasil resolver, primeiro, seus enormes problemas sociais, para só então pensar em sediar a Olimpíada de 2016. E não apenas os problemas dessa ordem mas também os morais, porque a corrupção foi grande com a realização dos Jogos Pan-americanos de 2007, no Rio de Janeiro. A fatura do custo final foi altíssima, muito além do normal. Imagina-se o que aconteceria com um evento da amplitude dessa competição mundial.
  Não se trata de detonar a proposta, mas faltam a este país de tanta pobreza as condições para hospedar esse majestoso festival de jogos e de receber tanta gente de fora. Porque o Brasil não tem (e até lá não terá, se for o escolhido) a segurança necessária para um empreendimento de tanta responsabilidade. Será preciso primeiro crescer para depois aparecer. E por ora o que existe é só arroubo governamental. O presidente Lula – entusiasta da idéia – obviamente espera estar outra vez no poder nessa Olimpíada.
  Chicago (a cidade favorita), Tóquio e Madri são os três lugares que também disputam a escolha, e mesmo o rico Japão – que não tem problema financeiro – enfrenta críticas de seu povo a respeito, porque o investimento seria altíssimo. Para o Brasil, se aparentemente seria boa propaganda sediar o evento, pode se dar também o reverso. Porque se sabe que os veículos de comunicação de todo o mundo não se ocupam, numa oportunidade dessas, de falar apenas de atletas e de jogos mas fazem reportagens sobre as condições da cidade e do país-sede, e mostram as maravilhas mas também as suas mazelas. E estas, no Brasil, são vergonhosas, sem indício de que serão diferentes daqui a apenas oito anos. Porque não se recupera em tão pouco tempo um país de grandes deficiências no índice de desenvolvimento humano e da infra-estrutura instalada, além das escandalosas histórias de corrupção governamental e os relatos sobre a insegurança.
  Se uma Olimpíada também traz retornos à economia, o Governo poderia, com o mesmo dinheiro que iria investir com a infra-estrutura para os jogos, dar um grande impulso à solução dos problemas de moradia e saúde, da educação e da segurança, assim como à melhoria de estradas e portos, financiamento mais amplo para a agricultura e outros setores produtivos, e assim por diante. Estas seriam soluções duradouras, enquanto o brilho de uma Olimpíada é de curta duração, porque acabada a festa tudo volta ao que era antes.

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