O arquivista e a gestão estratégica
PUBLICAÇÃO
domingo, 12 de fevereiro de 2006
Marco Antonio Neves Soares 
A arquivística contemporânea tem feito esforços para fundamentar as questões relativas à otimização da produção e/ou dos resultados de uma organização, seja ela de caráter público ou privado. Buscando a eficiência, passou a trabalhar a documentação e a informação de forma estratégica, a fim de garantir a aplicação das decisões tomadas a partir de parâmetros objetivos e planificados. Não que a arquivística tenha abandonado o chamado arquivo permanente ou a documentação histórica; esse nicho continua sendo um importante viés teórico e profissional. Mas tem aumentado a demanda pelo profissional de arquivo capacitado para gerenciar estrategicamente as informações com um objetivo determinado, a saber, possibilitar e alicerçar a tomada de decisão mais adequada (em uma relação custo/benefício) por parte dos gestores de uma organização.
É uma função muito importante exercida pelo arquivista na empresa, pois a partir desta sua atuação, ela pode estabelecer um planejamento estratégico capaz de sustentar uma política de eficiência que seja permanentemente auto-avaliadora e crítica, visando a ampliação e consolidação daquela instituição no mercado. Neste sentido, essa área da arquivística dialoga e interage com outras áreas diferentes, como a Ciência da Computação e com aquelas das ainda chamadas Ciências Sociais Aplicadas: Administração de Empresas, Contabilidade, Secretariado e Direito. Necessita, pois de profissionais com perfil multidisciplinar, que além de sua competência técnica, também desenvolva capacidades gerenciais, embasadas em uma visão sociotecnológica que leve em conta o desenvolvimento das potencialidades humanas, além de necessariamente dar conta das teorias gerias de sistemas e das legislações que regulam as corporações e os mercados.
A constituição deste perfil profissional veio substituir aquele que, acostumado ao processamento dos dados, não percebeu o desenvolvimento das Tecnologias da Informação (TIs) e de suas possibilidades: trabalho sistêmico, criatividade, perspicácia, ousadia e capacidade de disseminação e interação. Este profissional é denominado CIO, Chief Information Officer, por ser o gestor responsável pelos recursos tecnológicos e pela utilização estratégica da informação nas organizações.
Na Universidade de Londrina, o curso de Arquivologia oferece os recursos teóricos e práticos para a formação deste perfil profissional. É claro que o curso não é apenas gestão, mas sem dúvida é um de seus mais importantes eixos temáticos, e consorciado com o da TI, permite a constituição de uma competência que seja capaz de colher e organizar o capital intelectual de uma organização ou instituição, visando estabelecer a forma de conhecimento organizacional, que Chun Wei Choo, professor da Universidade de Toronto, denominou conhecimento organizacional explícito. Assim, esse profissional será capaz de integrar e controlar uma rede informacional complexa, viabilizando ou ampliando a capacidade de aprendizagem e de inovação empresariais de uma determinada organização. E esta é uma exigência do mercado de trabalho, que carece de profissionais capacitados para a lida com a informação com as profundidades técnica e ética que essa profissão exige.
MARCO ANTONIO NEVES SOARES é professor do departamento de História e coordenador de curso de Arquivologia da UEL


