O aperto no bolso das famílias
Londrina apresenta um nível de endividamento superior à média nacional
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quarta-feira, 12 de agosto de 2026
Londrina apresenta um nível de endividamento superior à média nacional
Folha de Londrina 
A fotografia do orçamento das famílias londrinenses no terceiro trimestre de 2026 pede atenção. Com 92,2% dos lares comprometendo parte da renda com algum tipo de dívida, Londrina apresenta um nível de endividamento superior à média nacional, de 82%. Mais preocupante ainda é o avanço da inadimplência: o percentual de famílias com contas em atraso saltou de 36,2% para 42,8% em apenas um trimestre.
Os números revelam o quanto o crédito se tornou indispensável para sustentar o consumo e, em muitos casos, o próprio orçamento doméstico. O cartão de crédito responde por 52% das dívidas em Londrina, ou seja, uma parcela importante das famílias recorre a essa ferramenta até para despesas recorrentes. Quando a renda não acompanha o custo de vida, o cartão passa a funcionar como extensão do salário, acendendo a luz vermelha de perigo.
Esses dados foram apontados pela PEIC Londrina (Pesquisa de Comprometimento de Renda e Inadimplência), realizada pelo NuPEA (Núcleo de Pesquisas Econômicas Aplicadas), da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná). No segundo trimestre, a parcela das famílias do município que tinham algum nível de comprometimento de renda era 91,4%.
Apesar do aumento do percentual de endividados, houve um alívio na crise financeira das famílias londrinenses. A proporção de consumidores que não conseguirão quitar suas dívidas caiu de 14,8% no segundo trimestre para 9,3%. Além disso, 58,9% dos inadimplentes afirmaram que conseguirão honrar os compromissos, ao menos parcialmente.
Comparada aos índices nacionais, a cidade de Londrina apresenta crédito mais disseminado e inadimplência mais frequente, porém, menos severa do que a média do país. No Brasil, o comprometimento de renda é de 82,0% e o índice de contas em atraso, de 29,8%, mas a insolvência chega a 12,3%.
O cartão de crédito concentra mais da metade das dívidas dos londrinenses, compondo 52%. A prestação da casa própria e do carro aparecem com 10,3% e 7,6%, respectivamente. E volta a chamar a atenção o item “outras dívidas”, que subiu de 25% para 28,1% entre o segundo e o terceiro trimestre. Embora a pesquisa não especifique as dívidas com bets, elas podem ser encaixadas nessa categoria.
É preciso fazer uma distinção. Estar endividado não significa, necessariamente, estar insolvente. O problema surge quando a dívida compromete parcela excessiva da renda, reduz a capacidade de consumo e impede que as famílias tenham margem para enfrentar emergências.
Nesse cenário, consumidores, instituições financeiras, comércio e poder público têm responsabilidades complementares. Educação financeira, crédito responsável e estímulo à renegociação são importantes, mas também é necessário olhar para as condições econômicas que levam famílias a recorrer ao crédito para fechar as contas do mês.
O desafio é impedir que o crédito, que pode ser uma ferramenta de inclusão e crescimento, transforme-se em uma armadilha permanente.
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