O anseio dos jovens por trabalhar fora
Se o lugar dos brasileiros é no Brasil e tudo indica que sim, porque os que vão embora sempre desejam voltar a escassa oferta de empregos no País induz os jovens a buscar trabalho em outros pontos do mundo. Isto é demonstrado por pesquisa publicada ontem neste Jornal revelando que quase 66% deles se aventurariam em trabalhar fora se tivessem oportunidade. A razão da escassez de emprego se deve às políticas públicas avessas ao desenvolvimento e à ausência de projetos de mudança, na esfera governamental, começando pela comunidade parlamentar, que é a que produz as leis, as modifica ou as suprime. Envolvido em denúncias de corrupção, pouco eficiente e gastador exacerbado, por isso arrochador de impostos, o Governo leva os setores da produção a operarem em baixa e, assim, não se expandem e não sustentam empregos bem remunerados e nem geram outros. Do atual Governo esperava-se uma guinada desenvolvimentista, por via de grandes reformas porque tal era o discurso mas nem será necessário dizer o que aconteceu. Porém, vale lembrar que o sistema financeiro (bancos, financiadoras, operadoras de cartões de crédito) nunca lucraram tanto quanto no Governo petista; o garrote tributário continuou necrosando as veias das fontes produtoras, a economia não deslanchou e os empregos faltaram. O número de jovens que a cada dia foi chegando aos 18 anos (uma idade que acena para a procura de trabalho) foi superior ao ritmo de crescimento econômico. Por isso, uma imensidão de jovens brasileiros quer ir embora, em busca de emprego e ganho. A boa notícia revelada pela pesquisa é que todos os que querem ir, aspiram voltar e viver no Brasil. Pesada carga tributária, encargos exorbitantes sobre a folha de pagamento dos empregados, lei trabalhista leonina e punidora do empresário, tudo isto inibe a abertura de mais vagas de trabalho, e se o cidadão não têm renda, não pode consumir, e assim o nível de produção acompanha o ritmo do consumo. Tudo nivelando por baixo. Porque se o contingente de desempregados não consome, eis que não tem salário, os negócios passam a andar devagar, justamente porque o consumo é pequeno e assim não gera expansão e nem emprego, e sem emprego não há consumo, e assim sucessivamente uma nefasta reação em cadeia. Sem dinamismo econômico também cai a receita tributária e assim o Governo eleva cada vez mais os e cria novos. Como não pára de esbanjar, mais e mais precisa sugar, e assim concentra renda e exaure o meio circulante e a cadeia produtiva. Se os jovens que vão embora acabam trazendo dólares, é certo que, em sua ausência, deixam de produzir para o Brasil e de consumir aqui. Eles formam uma força vigorosa, que se desperdiça pela debandada para o exterior. A continuar assim, o País correrá o risco de converter-se numa nação de velhos. Não será contendo a saída dos jovens que se resolverá o problema, mas criando oportunidades internas de trabalho para que fiquem. Os pontos a atacar primeiro são aqueles citados, porque sem o combate às causas não se eliminará os efeitos.





