Se um presídio de segurança máxima, como o de Catanduvas, permite que um Fernandinho Beira-Mar comande do seu interior operações do narcotráfico, aí incluídas ações de terrorismo e de rebelião nas penitenciárias, é visível que não há qualquer perspectiva de o país ver-se livre da violência. Inconcebível é que se comunique com celulares com as bases do crime organizado. E isso é uma permeabilidade que há não apenas em penitenciárias como em cadeias.
A transferência do cabeça do narcotráfico e com ramificações no Comando Vermelho e no Primeiro Comando da Capital, siglas hoje mais em evidência do que a singularidade das partidárias, de Catanduvas para Mossoró no Rio Grande do Norte, parece ter decorrido da reportagem-documentário da última edição da revista ''Veja'' e que espanta pela facilidade com que o ilustre personagem age e estabelece até ordens de execução sem falar nas receitas para desdobrar a cocaína e obter mais lucros.
Irônico é constatar que todas as conversas de Beira-Mar acabam gravadas pelo sistema e ainda assim nada se faz de objetivo para impedi-lo de exercer esse papel surpreendente que acaba desmoralizando o Estado brasileiro. Afinal, concede-se ao Estado o monopólio da força, justamente para assegurar o império da lei, a que todos obriga, e o que se vê é que mesmo quando apanhados, processados e presos, ainda assim os marginais têm espaço para não só garantir o suprimento de drogas no mercado como para neutralizar, inibir, bloquear a atuação das autoridades, melhor equipadas do que elas em termos de inteligência.
Obviamente em países de primeiro mundo isso não acontece porque não teria o menor sentido admitir a singeleza de um celular nas mãos de um sentenciado. Pior ainda quando isso se dá numa prisão tida como de segurança máxima e que teria para tanto absorvido os maiores avanços da tecnologia justamente para impedir essa livre comunicação do narcotraficante com os tentáculos de sua poderosíssima organização. E uma das coisas surpreendentes está no ingresso dessa ''societas celeris'', sociedade do crime, no varejo da distribuição do craque, droga barata e de efeitos aterradores. É o anedotário da tragédia.

mockup