A pressão estrangeira para solucionar certos problemas brasileiros foi novamente evidenciada na visita do presidente Lula a Londrina. Como a preservação ambiental foi um tema mencionado nos discursos, o Presidente declarou que ''a preservação ambiental é uma vantagem brasileira para ganhar mercados internacionais'', e que ele é ''duramente cobrado no exterior'' pela questão do meio ambiente. Mas não deixou de dizer que ''é correto o desmatamento quando necessário, desde que obedecendo-se às regras''.
Este é um ponto não bem decifrado por não definir com exatidão a linha limite do que é considerado ''necessário''. Por conta desse conceito, o desmatamento no Brasil continua sem controle porque as instituições rastreadoras atestam que as derrubadas (e queimadas) na Floresta Amazônica continuam sem interrupção e que também a Mata Atlântica vem diminuindo de volume por conta da expansão urbana em muitos pontos.
Uma promessa de Lula feita em Londrina - no lançamento do Plano Agrícola e Pecuário 2009/10 - é que os produtores rurais serão remunerados para preservar o ambiente em suas propriedades. Como isto se dará, não foi anunciado.
Embora preocupada com a questão ambiental, a ministra Dilma Rousseff, candidata do PT à presidência, ouvia atenta aos discursos. Mas deixava entrever que agronegócio não lhe é familiar.
O ministro Reinhold Stephanes, que por origem domina melhor esses temas, voltou a afirmar que o Governo estuda um novo modelo de financiamento agrícola, segundo condições climáticas e variações de preços. Esta é uma promessa para o próximo plano rural. Stephanes defende alterações no Código Florestal e o governador Roberto Requião se posiciona declaradamente contra isso, sem receio de contrariar o conterrâneo ministro. ''O Paraná, sem cortar um pé de pau, garante a segurança agrícola'', enfatizou.
Requião também fez referência ao sucesso do sistema de plantio direto (como medida protecionista do solo), cujo introdutor foi o paranaense de Rolândia Herbert Bartz - que recebeu homenagem por esse feito por ocasião da visita presidencial.
O necessário zoneamento agroecológico para definir áreas e períodos de plantio de cana e outras culturas utilizadas para combustível foi outro ponto defendido pelo presidente Lula. Com se diz popularmente, as coisas ficaram conversadas e agora é aguardar os resultados.

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