O presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, admitiu ontem a existência de um grupo criminoso atuando dentro da Casa, que fraudava pagamentos de auxílio-creche e vale-transporte - diz matéria na página 6 desta edição. ''Se descobriu uma verdadeira quadrilha agindo aqui dentro da Casa'', disse Temer, acrescentando que a Câmara já tomou providências.

Antes de mais nada, esse Temer é ridículo. A questão é saber se o povo vai se indignar ou se já está acostumado. Uma quadrilha a mais ou uma a menos não altera nada, num país que já perdeu as contas dos numerosos escândalos nos últimos anos envolvendo Executivo e Legislativo. Não altera, até porque vai terminar em pizza.

Certo ou errado? Errado. Tem que apurar sim. Mesmo sabendo que o corporativismo vai blindar os acusados e ninguém será punido. Mas pelo menos os envolvidos terão de dar explicações e passar por constrangimentos. É o mínimo, diante da consolidada impunidade e de um Judiciário benevolente.

A grande novidade é que não há deputados envolvidos. Mas, neste caso, pergunta-se: como já sabem disso? Ou tinham conhecimento da atuação da quadrilha, e tentavam esconder, ou a Mesa já vem com a defesa antecipada.

Um dos motivos da formação de quadrilha é a existência de muita gente sem serviço. Empreguismo, ócio e mordomias resultam nisso: sobra tempo para montar quadrilhas. Pouco trabalho, muita moleza e nenhuma cobrança.

As investigações apontam para a participação de servidores da Casa em golpes que envolviam a contratação de funcionários fantasmas, distribuição de benefícios, acordos fraudulentos com escolas particulares e articulação de fraudes com vale-transporte.

Mesmo assim, vale lembrar: e o péssimo exemplo que os próprios parlamentares deram e continuam dando ao longo de suas gestões. Foram poucos os maus exemplos? Espera-se, pelo menos neste caso, que o dinheiro roubado seja devolvido, ao contrário do que normalmente acontece.

mockup