A energia elétrica é sinônimo de conforto e a falta dela, mesmo que em pequenos intervalos, causa aborrecimentos ao homem moderno. O que pouca gente sabe - ou evita saber - é que o simples fato de acender uma lâmpada tem consequências, ou seja, não existe energia sem impacto ambiental, por menor que seja. É como diz o provérbio popular: ‘‘não há como fazer omelete sem quebrar os ovos’’.
  A construção de usinas hidrelétricas no Rio Tibagi, que sempre foi questionada - por razões naturais - por pessoas e instituições que defendem o meio ambiente, caiu em um quase esquecimento dos ambientalistas mas volta à tona agora que a obra entra em sua fase final.
  O que eles argumentam é que o Estado do Paraná consome apenas 25% da energia elétrica que produz e que, portanto, não justifica sacrificar nossos rios, considerados ‘‘santuários da humanidade’’, com a construção de novas usinas hidrelétricas.
  É certo que o País não pode se desenvolver sem a produção de energia, uma demanda que vem crescendo ano a ano, e que um apagão pode comprometer o planejamento. O que não se pode, porém, é ficar na dependência quase exclusiva de uma única matriz energética: 92% da energia consumida no Brasil é produzida por hidrelétricas e 8% por outras fontes (nuclear, gás natural e carvão).
  É preciso buscar novas alternativas, como a energia solar, por exemplo. E neste sentido, o Brasil também é privilegiado pela natureza. Além disso, há necessidade de campanhas educativas para reduzir o desperdício de energia, o que pouparia, e muito, os nossos recursos naturais.
  A Hidrelétrica Mauá entrará em operação em oito meses, mas o que não pode acabar é o debate sobre os impactos não apenas ambientais mas principalmente sociais desta e de outras hidrelétricas que venham a ser construídas nos rios paranaenses.
  Os alertas sobre os danos futuros que virão com a formação do reservatório da Usina Mauá, como a FOLHA mostra na edição de hoje, não podem ser ignorados nem por ambientalistas, nem por nossas autoridades e nem pela sociedade como um todo. Mesmo que haja estudos dizendo o contrário e que o consórcio responsável pela construção garanta que haverá monitoramento da qualidade da água, há o sério risco de contaminação da água que abastece Londrina e Cambé. A FOLHA, cumprindo a sua missão, estará vigilante.

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