O Brasil encerrou 2011 como a sexta economia do mundo. Dias atrás, o ministro da Fazenda Guido Mantega, projetou que o País poderá alcançar a posição de quinto mais rico do planeta antes de 2015 quando o PIB nacional suplantará o francês. A melhoria das condições de vida do brasileiro, em especial da emergente classe C, traz reflexos na economia interna do País. Reportagem de hoje da FOLHA mostra a ascensão do transporte aeroviário brasileiro em comparação ao transporte rodoviário.
A nova classe C ajudou a turbinar as viagens aéreas. Estatísticas da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) revelam um crescimento de 131% das viagens por avião em comparação às viagens de ônibus nos últimos oito anos. Somente em 2010, os aeroportos brasileiros movimentaram 136 milhões de passageiros, número idêntico ao registrado pelas rodoviárias de todo o país. O barateamento das passagens aéreas e o tempo mais curto das viagens pesaram na opção pelos voos. Enquanto o preço para andar de avião caiu 39% desde 2002, a tarifa dos ônibus aumentou 61%. Estradas ruins, congestionamento, pedágio e rodoviárias sem estrutura são outros fatores que desestimulam a opção pelos ônibus.
Essa evolução é um alerta ao governo brasileiro. Com dois grandes eventos nos próximos anos - Copa do Mundo de futebol em 2014 e as Olimpíadas de 2016 -, o Brasil deve se preparar para um movimento ainda maior nos aeroportos. Hoje boa parte dos terminais atua além do limite. Nota técnica divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apontava que 14 dos 20 principais aeroportos do país operavam acima de 100% da capacidade.
Apesar de a Infraero estar investindo R$ 1,4 bilhão por ano na ampliação dos 13 aeroportos das cidades-sedes da Copa de 2014, o Ipea pondera que parte dos terminais não estará concluída até o Mundial da Fifa. Além disso, aeroportos ''alimentadores'' de cidades médias também não têm estrutura adequada.
País de moeda forte, com inflação controlada, uma grande massa com maior poder de compra e por enquanto distante da crise econômica europeia, o Brasil precisa urgentemente avançar na melhoria de sua infraestrutura de transportes seja aereoviário, rodoviário ou ferroviário. Caso contrário, um ''apagão aéreo'' mancharia a imagem do país que almeja avançar no ranking das economias mais ricas do mundo.
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