O alerta que vem desse microincidente
O blecaute de terça-feira à noite expôs a vulnerabilidade de toda estrutura do País, pública e privada. Do transporte de massa nas grandes cidades à imprevidência na gestão hospitalar. Mostrou, esse apagão, o quanto somos amadores e incompetentes na mobilização para enfrentar condições adversas. Basta algo de mais grave e duradouro e o que seria apenas um apagão dará origem a pequenas tragédias.
O País também carece de planos de contingência. Nossa ação paquidérmica para situações inesperadas não vai além de tentativas de identificação do acontecido. O que se viu - diante do inesperado, é bom que se diga - foi uma nação inerte que estava literalmente dormindo.
Pode um hospital interromper um procedimento cirúrgico por falta de energia elétrica? Pode. Se não mantém um gerador próprio, pode. Afinal - ironia à parte - é melhor suspender os trabalhos a operar no escuro. E uma UTI neonatal, sem alternativa para casos como esse, pode? Aconteceu na noite de terça e madrugada de quarta-feira.
E o público, assustado, ainda teve que assistir ao festival de desinformações proporcionado por setores do governo, a quem não se deve atribuir responsabilidade pela origem da falha.
Portanto, é precipitado debitar ao governo o que pode se resumir em falhas técnicas. Nem a imobilidade, pois a cúpula do governo foi informada e procurou o controle da situação desde os primeiros momentos. Se nada conseguiu foi pela complexidade do problema. Tanto que, por enquanto, nem os técnicos que estão fora do governo fazem críticas ou apontam falhas imponderadas.
O erro do governo foi minimizar, levianamente, as evidências. Diante de um problema que causa elevados prejuízos ao comércio, fábricas e hospitais; que impacta na rotina de milhões de pessoas; que causa morte, apavora famílias. Diante de tudo isso, vem um ministro e desqualifica tudo reduzindo um fato dessas proporções em microincidente. Desculpe, mas isto beira a irresponsabilidade.
O blecaute de terça-feira à noite foi muito mais do que um imprevisto que causou a queda de 40% da energia do País. Ele mexeu com a segurança de muitos brasileiros. Não é hora de o governo lembrar que ocorrência semelhante (durante o governo do adversário) teve igual ou pior proporção. Isso é infantil.
Governo e iniciativa privada têm que tirar lição. Refletir sobre a fragilidade de um País que fica de calça nas mãos diante de adversidades.





