O alerta dos números
Fazendo algumas contas simples é possível prever, sem nenhum dom de clarividência, que 48 londrinenses serão assassinados nos próximos quatro meses. Desses, 13 deverão ser menores de 21 anos. Entre os outros 35, muitos terão passagem pela Polícia, residirão em bairros pobres da periferia e acabarão crivados de balas. Alguns, no entanto, podem ser idosos à espera do ônibus em um terminal, atingidos por bala perdida, ou outro cidadão comum qualquer, cuja única infelicidade será a de estar em lugar indevido na hora errada.
A retrospectiva da criminalidade no município conduz ao prognóstico trágico. Neste 2002 violento, a média de assassinatos em Londrina é de um a cada 2,6 dias. Não se pode esquecer que por trás dos números há um rastro de dor. Familiares e amigos das vítimas não sabem nem querem saber em que posição do ranking dos homicídios figura o filho, pai, irmão, que acaba de se converter no mais recente registro das estatísticas. Para estes londrinenses, existe ali uma história de vida. É o que conta.
Mas os frios registros policiais são importantes para dar a dimensão da realidade da violência urbana. Agosto já entrou para a história da cidade como o mês mais mortal deste ano de 2002. Faltando quatro dias para terminar, registra o recorde de 18 homicídios. Um a cada 35 horas.
Em 2000, Londrina contabilizou 83 homicídios. A média foi de uma morte a cada 4,3 dias. No ano passado, foram 116 assassinatos. Um a cada 3,1 dias. Este ano, até agora, um londrinense morreu a cada 2,6 dias. Todos esses números estão dizendo alguma coisa.
Mas o mais importante é que projeções se baseiam em dados passados é como olhar a realidade pelo espelho retrovisor. Por isso mesmo, podem ser evitadas, desmentidas. O que transformaria essa matemática funesta em mero exercício de futurologia. Que os números do presente sirvam para isso.
Ruth Meira





