O alerta do Papa sobre a fome no mundo
Embora quase 1 bilhão de pessoas padeça de subnutrição, os meios e recursos de que o mundo dispõe podem fornecer alimento suficiente para satisfazer à necessidade crescente de todos. Estas são palavras de alerta do Papa Bento XVI ao pronunciar-se no Dia Mundial da Alimentação, e têm por endereço a consciência da humanidade. O pontífice condenou a corrida do consumismo e também tocou na questão da corrupção de governos e da especulação desenfreada.
Números do organismo das Nações Unidas que trata da alimentação indicam que há exatos 923 milhões de subnutridos, uma alta de quase 100 milhões com relação ao ano passado. Se também houve crescimento populacional, também a produção de alimentos elevou-se, graças aos avanços da tecnologia. O que ocorre é a má distribuição.
As razões disto são múltiplas, destacadamente o pouco ou nenhum ganho de tanta gente em extrema pobreza, que perfaz 1/6 da humanidade. Outros fatores são o desperdício nas colheitas, no armazenamento e no manejo de mercadorias desde a origem até as gôndolas dos mercados, assim como o elevado porcentual que é jogado fora nos domicílios mais abastados, nos restaurantes e outros pontos de consumo. Se a fome tem a ver com a falta de vontade política dos governantes para solucionar ou atenuar essa situação, como mencionou o Papa, também a denominada população civil (o povo e as instituições privadas) não contribui para diminuir as desigualdades sociais.
O que se gasta no mundo em armamento e o que se consome nas pesadas estruturas governamentais, mais a soma da corrupção, seriam suficientes para banquetear todos os famintos do mundo com boa alimentação, o que resultaria inclusive em melhoria dos padrões de saúde e de menor custo do atendimento médico e hospitalar. O muito que sobra a muitos e o que é desperdiçado por eles é o quanto bastaria para uma equitativa divisão entre todos. Os números atestam que há, no mundo, produção alimentar bastante para bem alimentar todos os 6 bilhões e 700 milhões de seres humanos. Mas a insensatez dos homens atinge não apenas aqueles mais de 920 milhões de miseráveis, mas um volume infinitamente maior daqueles que, mesmo tendo acesso a porções de comida, alimentam-se mal, pela impossibilidade de adquirir mais. Espera-se que a advertência papal resulte num despertar das consciências.





