Alguns casos suspeitos de reinfecção pelo novo coronavírus foram relatados em diferentes países, entre eles o Brasil, mas a notícia do homem de Hong Kong que foi infectado novamente, quatro meses depois que contraiu a Covid-19 pela primeira vez , chamou a atenção da comunidade científica e acendeu um alerta em todo o mundo.

O que torna esse caso diferente dos anteriores é o grau de informação confiável sobre o histórico do paciente, um rapaz de 33 anos. O acompanhamento que ele recebeu dá uma riqueza de detalhes que podem confirmar como o primeiro caso de reinfecção por coronavirus.

No último fim de semana (29 e 30) a FOLHA abordou a reinfecção do novo coronavírus por meio de uma entrevista com a médica infectologista do Hospital Universitário (HU) da UEL (Universidade Estadual de Londrina), Zuleica Tano. Ela participa do grupo de trabalho responsável pelo plano de contingência para o coronavírus do HU e afirmou que realmente a notícia que vem de Hong Kong deve servir de alerta para a população.

Segundo o artigo produzido por cientistas da Universidade de Hong Kong, o homem teve sintomas na primeira vez que contraiu a doença, foi internado e recuperou-se. Meses depois, viajou para a Espanha e, na volta para casa, após teste de triagem no aeroporto, apresentou resultado positivo para o vírus Sars-Cov-2 uma segunda vez.

Antes desse caso, as investigações sobre possíveis reinfecções apontavam para falsos positivos na primeira ou segunda amostra ou detecção de partículas do vírus que podem permanecer no organismo por um certo período de dias. Mas chamou a atenção que linhagem do vírus do segundo contágio era diferente do que o identificado na primeira infecção.

Trata-se de um vírus novo que provoca uma doença que está se aprendendo agora a combater. A descoberta da Universidade de Hong Kong aparentemente derruba a tese da imunidade de rebanho e mostra que ainda há muito a descobrir sobre o Sars-Cov-2.

Mas, por outro lado, o caso da reinfecção acende uma luz no fim do túnel quando aponta que a segunda infecção apresentada pelo chinês foi mais branda, assintomática.

A descoberta não é motivo de pânico, mas demonstra que não devemos baixar a guarda. As pessoas precisam continuar seguindo as orientações que estão salvando vidas até aqui, como evitar aglomerações, manter o distanciamento, utilizar máscaras e fazer a higiene adequada das mãos.

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