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É inseguro
o sistema
ferroviário
paranaense
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A Folha de Londrina, pelo trabalho das repórteres Adriana Savicki e Andréa Bordinhão e dos fotógrafos José Suassuna e Carlos Bozelli, mostrou em cinco reportagens seguidas a situação das ferrovias do Paraná, e a conclusão é que o sistema não vai bem. Entregues por concessão da Rede Ferroviária Federal S/A à empresa América Latina Logística-ALL, por 30 anos, as estradas de ferro do Paraná registram descarrilhamentos que podem ser debitados à má conservação. A realidade constatada pelos jornalistas é que há dormentes podres, falta de parafusos nas conexões, desnivelamento de trilhos, ''cemitérios'' de vagões, denúncias e questionamentos sobre a fiscalização e o modelo de privatizações adotado. Há muita insegurança e abandono, porque os funcionários são insuficientes. Um dos piores trechos da região norte é o de Londrina a Apucarana. Ex-funcionários denunciam aos repórteres que falta a formação profissional de mecânicos e eletricistas, embora a ALL tenha uma escola de maquinistas recém-instalada. Mas, estes últimos, trabalham até 14 horas contínuas, porque a figura do estágiário-auxiliar foi extinta. Outra prática perigosa é a ordem de desligar máquinas nas descidas, para economizar combustível, mas se elas existem para puxar, devem também segurar. Na questão da preservação ambiental a ALL é campeã em multas, por causa de tombamentos com cargas poluentes. A concessionária, no corpo das reportagens, faz as suas defesas justificadas em alguns pontos mas a presença dos repórteres atesta as deficiências apontadas. Do patrimônio da Rede Ferroviária Federal algumas estações foram aproveitadas como Londrina, Arapongas, Jaguariaiva e Ponta Grossa mas as que estão fora do perímetro urbano estão ruindo. Mostram as reportagens da Folha que a extinção dos trens de passageiros tornou obsoletas as sub-estações. São 150 no sul. A RFF informa que, com relação aos prédios históricos, está tentando dar prioridade a convênios com as prefeituras ou instituições particulares, para manter o patrimônio. A conclusão, com base em depoimento feito aos repórteres pelo engenheiro-ferroviário Saulo de Tarso Pereira, ex-superintendente da RFFSA, é que será preciso rever o processo de concessão de ferrovias. Dos 25.843 quilômetros de estradas de ferro que a RFF possuía, 10 mil foram desativados, em todo o Brasil. Só na região sul foram 1.500. Ele aponta para o patrimônio da RFF, que é de R$ 40,2 bilhões, e que a empresa é uma S/A e por isso deve captar investimentos, mas para isso precisará transformar-se em empresa de fomento. Demonstra que o transporte ferroviário é vital para o Brasil, na comparação com os demais sistemas territoriais, alertando que o Pais corre o risco de não exportar em mais quantidade pela deificiência de escoamento, referindo-se às filas de caminhões à entrada dos portos, caso frequente no porto de Paranaguá.

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