São preocupantes as informações, contidas em reportagens de ontem deste Jornal, de que alguns municípios do Paraná têm índices de tuberculose superiores à média nacional, e que a poluição do ar em Londrina atinge níveis perigosos. Sobre esta última, foi assinado ontem um convênio entre a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e a Universidade Estadual de Londrina para execução de obras de infra-estrutura e implantação de um laboratório de análises do ar. Um mal que se manifesta por fumaça negra e gera aerosóis, dióxido de enxofre, monóxido de carbono e óxidos de nitrogênio, oriundos das mais de 3 mil indústrias da cidade e dos escapamentos dos 100 mil automóveis (dos 200 registrados) que circulam diariamente, assim como pela queima de combustíveis com teor de enxofre, pelos fogões domésticos, aquecedores a gás, queimadas, caldeiras e inclusive o cigarro. Outros agentes poluidores detectados são o ozônio, originado da combustão de petróleo e dos desumidificadores de ar e copiadoras; mais a silica, que se origina das pedreiras, de escavações e do jateamento de areia, e as poeiras mistas, que têm origem nas indústrias de metais pesados. As consequências para a saúde são altamente nocivas e estão relatadas na Folha. Já o problema da tuberculose uma doença outrora de difícil cura e hoje ainda grave preocupa pela contaminação e pelo pregressivo alastramento. O caso reclama a atenção da Saúde Pública e remete para a necessidade de medidas fiscalizadoras mais intensas. Uma pessoa doente pode contaminar, no curso de um ano, de 10 a 15 outras, e assim progressivamente. Óbvio que a tuberculose tem a ver também com a péssima qualidade de vida das camadas pobres. Os números indicam que quase 3 mil pessoas ao ano contraem essa doença, no Paraná, e 200 delas morrem, número que, no Brasil inteiro, se expande para 6 mil anuais. Como hoje esse mal tem cura, bastando ser tratado, é inadmissível que ainda seja preocupação no Estado, que figura entre os de melhor padrão no País e conta com estrutura suficiente para combater mazelas do gênero. Trata-se de um problema de sanidade pública e depende também de disciplina do doente, que no mais dos casos abandona o tratamento quando começa a sentir-se melhor, ignorando que pode transmitir a doença por via da tosse, de espirros e escarros com sangue. Se a responsabilidade é também de cada pessoa portadora desse mal e que precisa tratar-se até a plena cura da doença, é muito mais do Estado.

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