O advogado Amaro de Souza teme pela segurança da família
Curitiba - O promotor Armando Sobreiro Neto, apontado como o responsável pelo pedido de grampo telefônico na sede do Batalhão de Polícia de Guarda de Presídios (BPGD), disse ontem que vai pedir providências criminais contra os responsáveis pelo vazamento do conteúdo de uma fita que revela conversas entre presos e seus advogados por telefone entre os dias 15 e 28 de junho deste ano. Parte do conteúdo da fita foi divulgado pelo jornal Gazeta do Povo no último domingo e confirma as suspeitas da Promotoria de Investigações Criminais (PIC) de que os policiais militares detidos tinham mordomias dentro da unidade.
Os privilégios iam de comida especial e telefone celular a até encontro com prostitutas e visitas em qualquer horário. ''Recebi a notícia de irregularidades no setor de presos no BPGD e iniciei um trabalho de investigação junto com o comando da unidade. Era uma investigação normal, dentro da suspeita de crime e comunicação externa dos presos. Queríamos apurar os fatos'', afirmou o promotor, que deixou a PIC em abril.
Sobreiro argumentou que sequer teve conhecimento de que a escuta telefônica tinha sido autorizada pela Justiça. ''Como deixei a PIC, deixei um relatório sugerindo apenas a escuta telefônica. Desconheço o conteúdo desta fita, mas vou pedir providências criminais contra quem resolveu divulgá-la, porque cometeu crime'', salientou o promotor.
A fita também conteria trechos de conversas entre presos e seus advogados. Nestes trechos, aparecem conversas do tenente Alberto Santos (condenado pelo incêndio da PIC), do traficante José Montalvão (que colaborou na CPI do Narcotráfico) e dos advogados criminalistas Peter Amaro de Sousa e Antônio Pellizzetti. Eles estariam elaborando um plano para denegrir as imagens dos promotores da PIC e dos policiais militares que trabalhavam no Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gerco).
Pelo plano, uma pessoa iria aparecer para testemunhar no caso do incêndio da PIC e dar informações sobre supostos crimes cometidos na unidade de investigação criminal. A tentativa de desmoralizar os promotores teria o patrocínio do empresário Juarez França Costa, o Caboclinho, acusado de uma série de homicídios em Rio Branco do Sul (Região Metropolitana de Curitiba) e de ser um dos principais donos de desmanche de carros roubados no Estado. ''Não sei o que contém na fita, mas quero saber. Se tiver a fabricação de uma testemunha contra os promotores, os culpados terão que ser punidos'', enfatizou Sobreiro.
O advogado Peter Amaro de Sousa disse que realmente possui uma testemunha que tem provas contra os promotores e policiais do Gerco. No entanto, o nome dela está sendo mantido em sigilo. Ele falou que não pretendia apresentá-la, porque não quer se envolver com os ex-promotores da PIC. ''Só faria isto se fosse financiado por alguém. Se pudesse tirar minha família daqui e não necessitasse temer represálias contra eles'', declarou Sousa. Ele confessou ter sido procurado por Caboclinho, mas negou a fabricação de testemunhas. ''Ele disse que queria me financiar. Mas eu não aceitei'', afirmou.
O advogado criminalista Antônio Pellizzetti foi procurado pela reportagem da Folha, mas não retornou o contato. Amigos dele disseram que o advogado estava revoltado com a divulgação do grampo telefônico. O delegado Miguel Stadler, atual responsável pelo Gerco, também foi contactado. A reportagem da Folha foi informada que ele está em viagem pelo interior do Paraná e só retorna no final de semana.





