O advogado
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 12 de agosto de 2002
Mário Cardoso 
Dia desses, prestigiando o juramento de noventa novos advogados na Subseccional da OAB de Londrina, com a presença dos presidentes, dr. José Hipólito, dr. Lauro Zanetti e diretores, enquanto ouvia a fala de nossos representantes, voltei no tempo, permitindo-me fazer uma comparação com o juramento que fiz em 1979, depois da realização do Exame de Ordem em 1978, que se realizava somente em Curitiba.
Muita coisa mudou de lá para cá, e, especialmente, a quantidade de novos advogados que agora ganham condições legais para o exercício da profissão, que, naquela época, ia pouco além de 7.000 em todo o Paraná.
Pelo que vimos, agora, mais de 33.000 advogados estão legalmente habilitados ao exercício da profissão em nosso Estado. Quando prestei exame, de todo o Paraná, não passávamos de 30 bacharéis em direito, interessados em advogar.
Pela solenidade que assisti, só em Londrina foram regularizados, após exames, quase cem advogados. Isto não quer dizer que a OAB/PR tenha facilitado nos exames, mas sim, pelo resultado do excesso de escolas de direito existente atualmente. É uma realidade incontestável a quantidade de escolas de direito que proliferam por esse País afora, chegando ao número de 480, segundo o presidente da OAB/PR, dr. José Hipólito.
Nos Estados Unidos, com o dobro da população, existem somente 150 escolas. E o que é pior, se não tomarmos cuidado, poderemos ver agravada ainda mais a situação, se aprovada lei que facilitará o acesso de profissionais, sem qualquer condição técnica, ao exercício profissional, sem o exame atualmente obrigatório.
Pelo menos doze projetos de lei tramitam no Congresso Nacional, visando eliminar o tão necessário exame para o Registro Profissional junto à OAB, que, transformados em lei, será um grande retrocesso, com sérios prejuízos a toda a comunidade. É o benefício que muitos ''empresários'' de ensino estão tentando trazer para seus ''alunos'' de direito, e também, obviamente, para seus bolsos.
Fora essas preocupações, devemos comemorar com bastante entusiasmo o Dia do Advogado ocorrido domingo último , esse profissional responsável pela defesa da honra, do patrimônio, da liberdade, enfim, da própria Constituição Federal, para simplificar. Profissional que, tendo a seu cargo importantíssimos documentos e valores, através dos tempos, passou a ser admirado por todos, mormente pelas habilidades que adquire na instrumentalização do direito e pela beleza de seu trabalho, estampado em belos arrazoados que se perpetuam nos arquivos da história de uma cidade, de um estado e de uma nação.
As maiores empresas do mundo são dirigidas por advogados, e não por administradores de empresa. Registre-se aqui, ainda, um fato histórico muito importante: dos presidentes que o Brasil teve, excluindo-se os militares, todos tinham curso superior. E, para satisfação quase total, dos 26 presidentes civis, 1 era médico (Juscelino ), 1 era jornalista (Collor), 1 era engenheiro (Itamar), 1 era sociólogo (Fernando Henrique ) e 22 eram advogados.
O advogado é o único profissional que tem a oportunidade de ser presidente dos três poderes - Legislativo, Executivo e Judiciário - pois no caso do Judiciário, o acesso à presidência é privilégio desse profissional, pois para ser juiz, início da carreira, se faz necessário o curso de direito.
Concluindo, deixamos aqui uma crônica já há algum tempo elaborada: ''Ele é o meu advogado!'': a advocacia é uma arte muito difícil de ser exercitada, mormente quando é do advogado a espinhosa missão de restabelecer um direito violado. A extensão de uma lesão causada nem sempre é do pleno conhecimento de quem a sofre, principalmente por prevalecer no direito a subjetividade na extensão das lesões sofridas, imperceptíveis aos olhos do leigo. Ao advogado cabe a responsabilidade da identificação e extensão desse prejuízo, como também a sua operacionalização dentro dos princípios gerais do direito, visando o restabelecimento ao estado anterior.
Com todas essas responsabilidades, o advogado segue o seu caminho, na arte de operacionalizar o direito, com a consciência de que nem sempre o reconhecimento pelos serviços prestados baterá à sua porta, mesmo que seja para lhe dizer, simplesmente, muito obrigado! Apesar disso, é extremamente gratificante para o profissional do direito quando ocorre uma situação de confiança e até de reconhecimento, que é ouvir a frase de caráter bem pessoal, que diz: ''Ele é o meu advogado!''
MÁRIO CARDOSO
- Advogado e ex-presidente da Associação dos Advogados de Londrina


