O adeus de um grande paranaense
Não foi só o Paraná que perdeu um grande líder na manhã de ontem. Não foi só o Estado - onde nasceu, viveu e se foi que deixou de contar com sua rara desenvoltura em liderar, em lutar com ação e ideias por causas nobres nas esferas econômicas e políticas.
Foi o País que perdeu José Eduardo de Andrade Vieira e seu jeito paranaense de ser brasileiro: trabalhador incansável, simples, generoso, inovador, um obstinado em busca da prosperidade para si e para sua gente. Foi o País que perdeu um homem que fazia com competência e pensava com clareza sobre nossas mazelas e apontava as luzes para os desafios.
Nesta edição especial, a FOLHA não retrata somente a morte do seu superintendente. O leitor pode acompanhar no Caderno Especial sobre a vida deste vencedor um pouco sobre suas reflexões, cada vez mais atuais e que seguirão vivas, inspirando novos líderes e enriquecendo os debates dos governos e do setor produtivo.
Um pensamento moldado nas contradições enfrentadas no cotidiano inerente à um banqueiro de sucesso, um industrial, um ministro, um senador, um líder partidário, sobretudo de um produtor rural que acordava cedo.
Foram 76 anos para consolidar suas convicções liberais, que enxergava o capitalismo como a melhor maneira de se espalhar o bem estar e o progresso para todas as classes e regiões. "O social, de que se fala, é salário digno, porque assim o trabalhador mata sua fome e a da sua família", disse certa vez. Em outra oportunidade, ponderou: "Toda a riqueza que deixar de ser produzida transforma-se em miséria". E, como bom paranaense, lembrava que mais importante do que pensar o que os governos podem fazer pelo povo, o que o povo pode fazer pelo País: "Mesmo quem desconfia do governo precisa confiar neste país. O Brasil será do tamanho que os brasileiros quiserem"
O conjunto de ideias que permeou sua trajetória é sobretudo um tratado sobre os trunfos do capitalismo em relação aos outros sistemas, a sua confiança inabalável na liberdade de expressão e nos direitos individuais era um claro manifesto do seu aprendizado de governança, da sua vivência nos dois lados da vida pública.
Que permaneça, pois, da forma mais simples - como ele sempre preferiu este legado vivo como nunca.





