O adágio do deságio
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 20 de setembro de 2001
Luiz Geraldo Mazza 
Consultores fi nanceiros estão sugerindo na im prensa nacional que em função da quadra reces siva externa e do desaquecimento interno a Copel não terá, de forma alguma, o ágio imaginado pelo governo. Admite-se até, em função da queda esperada de investimentos estrangeiros em função do cenário pós-atentados e do clima de mobilização bélica, que pode haver novas desistências de empresas no leilão, isso sem falar que, de um modo geral, considera-se um momento pouco oportuno, diante da crise energética, para a venda da estatal.
Nesse esquema de venda do nosso principal ativo estatal, o ganho maior do governo, inclusive no racha que deverá fazer com o BNDES, que detém parte ponderável das ações da empresa em função dos saques para cobrir ''furos'' de caixa, estaria precisamente no ágio, razão pela qual, inclusive, teriam dado um preço mínimo assustadoramente baixo. É claro que aí a desculpa é a de que tal responsabilidade cabe às empresas responsáveis pela modelagem da venda.
O governo age como se estivesse à beira do embotamento: não ouve qualquer tipo de ponderação sobre o caso, mesmo quando o alertamento parte de gente especializada, como se viu anteontem em noticiário do ''Estadão'' e que enuncia riscos gravíssimos para a privatização, pelo menos no momento atual.
A postura do Palácio Iguaçu é de um fundamentalismo xiita: mesmo que centrada em forte fundamentação técnica, a argumentação alertadora é desprezada como se viesse do campo oposicionista. Aliás, diga-se a respeito, a oposição à venda é da maioria esmagadora da população, como já se viu em várias pesquisas. E o governo não o ignora e apela a todos os recursos imagináveis para contornar a resistência na sua base aliada, cada vez mais sensível ao fato de que pode estar num ritual suicida e coletivo, do tipo Jim Jones.
É o adágio do ágio que se esvai, insuficiente para devolver a razão ao governo obcecado com a idéia da venda a qualquer custo para evitar as tenazes opressivas das sanções pelo descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
BIZARRICE
Há quem diga que o PDT já teve mais capilaridade nos tempos de Lerner do que agora com o ingresso dos irmãos Dias
AXIOMA Nada mais parecido, pelo menos na questão cromática, com a bandeira do PSB, ao qual vai aderir o Tony Garcia, do que a sua reluzente Ferrari. É uma redundância socialista, embora nos tempos clássicos ficasse melhor num desses ônibus biarticulados.
GLOSA Os vereadores que se inclinam pelo modismo do voto aberto perceberam nos últimos dias, no caso da escolha do candidato do PMDB à presidência do Senado, porque às vezes é indispensável o sufrágio secreto.
EPIGRAMA O governo só tem um candidato em condições de emplacar: Cassio Taniguchi. Já a oposição tem vários, mas que podem, se todos concorrerem, dançar nas eleições. A especulação de Alvaro Dias ser vice de Ciro Gomes mantém as possibilidades de Requião e Osmar Dias na conquista do governo. O complicador é o PT, que pode atrapalhar tudo. Aliás, em 94, o Miguel Samek, do PT, então candidato a governador, começou a detonar Alvaro Dias com a exibição na TV do seu novo e luxuoso apartamento.
SIGLA A mais forte das siglas não é nem o PT, muito menos o PFL, PSDB, PTB ou PPB e sim o PDV que não é Partido Democrático Valente e sim Plano de Demissão Voluntária que já predominou no Banestado e agora aparece na Audi-Volks.
SPRAY Lamentavelmente, os melhores argumentos contra a venda da Copel aparecem agora. Nessa questão de convencimento o Fórum contra a Venda falhou ao limitar-se a focar aspectos políticos e não técnico-administrativos da questão. - A caixa-preta da Copel está sendo aberta em função das numerosas ações judiciais, várias delas contra as sociedades que a estatal firmou, na condição de minoritária, com grupos privados como nos casos de velhos clientes da área pública tais como Donato Gulin (Tradener) e Darci Fantin (Foz do Chopin). - Argumenta-se que essas associações seriam nulas de pleno direito por não terem sido precedidas de licitação. - Esse tipo de material perturba mais o govermo do que o embate político na Assembléia Legislativa, que se agrava a cada vez que o governo dá um cano nos deputados, como se deu ainda recentemente. - A cada oscilação do mercado (recessão externa, desaquecimento interno) a indústria automotiva entra em crise como se viu com todas por aqui. Agora é o Plano de Demissão Voluntária da Audi-Volks. O governo está inibido de falar de boca cheia sobre o assunto, mesmo que a anomalia se caracterize como passageira. - Ontem, motoristas e cobradores de ônibus, às voltas com seguidos assaltos nas várias linhas da Região Metropolitana, fizeram sugestão ao governo para que aplique parte do dinheiro (os R$ 110 milhões) da Chrysler em segurança.
FOLCLORE Agora com o ingresso dos ex-tucanos no PDT brizolento espera-se que volte a ser votado o projeto da pilcha e que no governo trabalhista seria facilmente sancionado. Haverá vaneirão no Teatro Fernanda Montenegro.
CROMO O pavão ergue a plumagem armada, multicor, com a sobranceria de um desfile carnavalesco simplesmente para ocultar a feiúra dos pés.
AFORÍSTICO Em política, tal qual a sopa de Lavoisier, tudo se aproveita: o time de Lerner troca de sigla, como em fim de jogo com as camisas, com o de Alvaro Dias. Só que agora o acordo não foi branco.
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