O abuso de gastos também no STF
O esbanjamento de dinheiro do povo ocorre também em instituições como o Supremo Tribunal Federal, onde pelo significado de sua relevante atribuição esperava-se que não ocorresse abuso de gastos, até para que isso servisse de exemplo e se mantivesse intocada a majestade de tão elevada corte. Tal não é o que acontece. Ontem os jornais publicaram a notícia, extraída da própria página do STF na internet, que está sendo licitada a compra de nove automóveis (três dos quais de luxo) ao custo total de meio milhão de reais. Se há necessidade de bons veículos para transportar os onze membros desse colegiado nomeados pelo presidente da República não há razão para esbanjar, sabendo-se que o mercado dispõe de carros igualmente confortáveis e a preço bem mais baixo. Mas as instituições oficiais, no Brasil, vivem uma realidade de primeiríssimo mundo, valendo-se da alta soma amealhada por via de elevados impostos, enquanto serviços básicos de interesse da população são prejudicados, pela alegação de ''escassez de recursos''. O próprio ministro da Fazenda, Antonio Palocci, declarou para justificar porque não liberou as verbas orçamentárias para evitar a febre aftosa no gado que ''o tamanho das despesas deve se adequar à arrecadação''. Mas, em todas as áreas do Governo, a gastança é desenfreada, quebrando a regra matemática do soberano ministro. Os R$ 500 mil para atender ao conforto daqueles magistrados, na locomoção pelas avenidas de Brasília, não chegam a ser uma fortuna diante do megaconsumismo da máquina pública. A questão é a do decoro e da sensibilidade que faltam, tratando-se de integrantes de tão elevada corte. A economia de gastos é uma obrigação e deve imperar em todos os escalões do sistema funcional público. Porém certas instituições figuram no conceito dos cidadãos como redutos de absoluta honestidade e acima de qualquer suspeição. Entre elas, destacamente, o Poder Judiciário, que não pode ficar exposto a julgamento popular acerca de eventuais fraquezas que pratique, como esta de gastar abusadamente. Ademais, porque esta é uma nação de muitas carências sociais. São essas cortes que julgam as improbidades dos escalões superiores da administração pública, e imagina-se que, por essa razão, não possam ter nódoas e expor-se à vulnerabilidade. O STF deveria ser um modelo, sem pecados desse gênero. Se não tanto pelo gasto acima do necessário numa simples compra de nove automóveis, no mínimo pela quebra de confiabilidade junto aos cidadãos, que vêem na Justiça, em todas as suas instâncias, uma salvaguarda institucional e um bastião de resistência a toda forma de tentações.





