O 11 de Setembro não foi lição para a paz
Este 11 de setembro é uma data de triste lembrança, por rememorar o atentado às torres gêmeas de Nova York, e deve servir, sempre, para profunda reflexão. Porque as iras e atos terroristas são reflexos da soma de ações correspondentes das grandes potências mundiais, destacadamente os Estados Unidos, implacáveis na defesa dos seus interesses político-econômicos e por isso capazes de intervenções violentas, geradoras de reações de igual intensidade. Como as políticas de dominação não mudaram em função do que aconteceu naquele dia fatídico - porque dizia-se que os EUA não seriam mais os mesmos depois do alto preço pago pelo episódio - as ameaças de mais ataques do gênero continuaram, e desde então a poderosa e ao mesmo tempo fragilizada nação do Norte vive momentos de grande pavor e sob constante perigo. O exemplo não serviu, porque os Estados Unidos não mudaram sua política intervencionista, e mais guerras geraram, destruindo cidades, matando e mutilando pessoas, fomentando o redespertamento de ódios milenares entre nações e gerando mais lutas sangrentas entre elas. Difícil avaliar qual o mais impactante dos desastres, entre a derrubada dos dois gigantes edifícios americanos e a destruição do Iraque, por exemplo. Ambas ações de terror, e outro nome não se dá também ao conflito de agora entre Israel e Líbano, embora se atribua a denominação clássica de terrorismo às táticas das minorias fora do eixo das mega-potências. Que, talvez por isso, são mais articuladas e capazes de estratégias surpreendentes como as que derrubaram as twin-towers novaiorquinas. Porque a ação, que apanhou de surpresa a inteligência militar americana, não foi mais que um simplório ato de kamikazes, como na última grande guerra. Com a diferença de que agora foram aeronaves maiores e maior o alvo. A contra-reação como a do momento, de parte dos norte-americanos, de oferecer 200 milhões de dólares pela captura de Osama Bin Laden, pode resultar em êxito mas sem garantia de que não surja no cenário um novo líder idêntico. Porque o terrorismo, como instituição política, é organizado e faz escola. E não ataca nações pacíficas que não o fira, porque, queira-se admitir ou não, um princípio ético rege essas ações terroristas, que nada mais são do que atos de guerra. Portanto de ataque e contra-ataque no âmbito dessa arena sangrenta. Em ambos os fronts, todos matando e ferindo indiscriminadamente soldados, mulheres, crianças e semeando destruição. Causas e consequências gerando novas causas, com mais resultados subsequentes e assim continuamente. Desde 11 de setembro de 2001 não houve aceno de nenhuma das facções para um entendimento de paz, porque isto exige concessões de parte a parte e o cessar de provocações e ameaças.





