É preciso reconhecer que nada justifica atos criminosos e covardes como estes nos EUA. Porém é preciso abrir os olhos para a hipocrisia de quem chora no velório dos vizinhos ricos enquanto outros milhões, tão seres humanos quanto estes, morrem na miséria, de fome, de Aids e de outros males no resto do mundo. Inclusive em Cuba e no Iraque, em grande escala provocada pelo embargo e pela política externa e econômica americana.
Já há algum tempo os EUA exportam, com a condição de receberem novos empréstimos do FMI e do Banco Mundial, o seu modelo de política econômica neoliberal, que tem aumentado com extrema desproporcionalidade o número de bilionários e de miseráveis, aumentando a já imensa desigualdade social e diminuindo as oportunidades de inserção no mercado da maioria da população. O sistema privilegia a especulação financeira em detrimento do emprego, ou do trabalho, como preferem alguns.
Se não bastasse, e talvez justamente por isso, temos acompanhado a postura egoísta e arrogante que essa república pseudo-democrática e agiota adota e vem adotando, a cada dia de forma mais explícita, sob o comando de seu desafortunado intelectualmente presidente. Exemplo é o rompimento de importantes acordos como o Protocolo de Kyoto, quando somente eles, os que agora se dizem vítimas, colocaram-se contra o entendimento praticamente unânime de todos os países, de que a poluição é um mal que, se não é possível extinguir, precisa ser reduzido; mas, que para manter os altos níveis de lucros e o aquecimento da maior economia do planeta, é um mal necessário.
Egoístas, sim! Estes mesmos que choram pelos seus, mas dão de ombros para as suas vítimas, da fome e da Aids no mundo, principalmente na África, onde o número de doentes de Aids ultrapassa a 25% da população. Essa doença tem dizimado silenciosamente nações inteiras, mas os EUA procuram de todas as formas evitar e lutar contra a quebra das patentes de medicamentos indispensáveis ao seu tratamento. Talvez porque a vida de um pobre negro aidético, não opinião de alguns, não valha tanto quanto a de um especulador financeiro de Manhattan, ou de qualquer outro trabalhador.
Quanto ao Oriente Médio, resta-nos saber, afinal, o que realmente incomoda os EUA, seu desafeto Saddam Hussein e os sistemas ''antidemocráticos'' daquela região, ou o fato de que as maiores reservas de petróleo do mundo se encontram ali, e não no Texas, Estado de seu respeitável presidente, George W. Bush. A ele pouco importa quantos israelenses e palestinos, estes principalmente, são mortos diariamente, nos conflitos que ele, como vem demonstrando, não está nem aí, enquanto não venha para o seu quintal. Assim como na crise da Argentina, moça seduzida pelo modelo norte-americano, e agora abandonada.
Em matéria de direitos humanos, Osama bin Laden, Saddam, os guerrilheiros das Farc colombianas ou políticos brasileiros como o ex-deputado Hildebrando Paschoal, vulgo Sr. Motosserra, mesmo Fidel Castro e os comunistas chineses comedores de criancinhas perdem de longe para os homens que se auto-intitulam democratas e que, há muito, definem os rumos da política imperialista americana, leia-se; Bush, Clinton, Bush, Reagan, Kennedy. Os últimos é claro, mais espertos que o atual, mas todos com os mesmos objetivos.
E se nos revolta ver cenas chocantes como as dos atentados, revolta ainda mais assistir à hipocrisia do mundo, e o descaso da maioria das pessoas diante dos grandes problemas do planeta diante de um terrorismo silencioso, que mata mais e mais devagar, mas que não dá ibope. Quanto aos ataques terroristas de agora, certamente a resposta será rápida e à altura, afinal, não devemos nos surpreender se nossos vizinhos do norte mostrarem eficiência naquilo que estão tão habilmente treinados pois sempre o fizeram, terrorismo.
- SÓCRATES JOSÉ NICLEVISK é bancário e universitário em Curitiba

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