A primeira santa brasileira, madre Paulina do Coração Agonizante de Jesus, era italiana de Vigolo Vattaro, cidadezinha que pertencia à Áustria quando ela nasceu, em 16 de dezembro de 1865. Seus pais, Napoleone Visintainer e Anna Piannezer, ambos de sobrenome alemão, emigraram para Santa Catarina em setembro de 1875, com os cinco filhos, o mais velho de 11 anos e o caçula de apenas 1.
Amabile Lúcia tinha 9 anos, mas já trabalhava numa tecelagem, selecionando casulos de bichos-da-seda, quando a família resolveu tentar a sorte na América do Sul.
‘‘Seria melhor dizer que é a primeira santa do Brasil, pois, brasileiro mesmo, nosso primeiro santo será Frei Antônio Sant’Anna Galvão, que nasceu em Guaratinguetá e cresceu aqui’’, diz dom Paulo Evaristo Arns, o cardeal que como arcebispo de São Paulo promoveu as causas de beatificação dos dois, já que tanto o Beato Galvão como Santa Paulina viveram e morreram no território de sua arquidiocese.
Madre Paulina pode ser chamada de primeira santa brasileira, dizem os cardeais, porque foi aqui que ela trabalhou, sofreu, lutou e, principalmente, se santificou. ‘‘Volontà di Dio, paradiso mio’’, repetia a santa no fim da vida, falando mais italiano que português, aos 76 anos de idade e quase 67 de Brasil.
Doente de diabete, havia amputado o braço direito e estava totalmente cega. Mas não se queixava de nada. Se era a vontade de Deus, era como se estivesse no paraíso. As freiras que a conheceram e foram testemunhas do sofrimento de seus últimos dias lembram-se dela com emoção e carinho. A santa morreu na madrugada de 9 de julho de 1942 na Avenida Nazaré, 470, Ipiranga, endereço até hoje da sede de sua congregação.
‘‘Cuidei de madre Paulina quando ela ficou doente e nunca ouvi uma só queixa de sua boca’’, confirma Irmã Gualberta, de 87 anos, uma das 12 freiras da Casa São Luís, de Bragança Paulista, que conviveram com a fundadora de sua congregação. ‘‘Foi o melhor tempo de minha vida, porque nós trabalhávamos juntas dez horas por dia e tudo o que sou aprendi com ela’’, acrescenta a religiosa. Irmã Elisa, de 92 anos, diz que madre Paulina não perdia tempo. ‘‘Ela fazia flores com o que lhe restava do braço direito, às vezes usando os dentes para segurar o material.’’

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