Números que envergonham
A violência tanto na cidade quanto no campo tem mudado a rotina de muita gente. O medo de se tornar a próxima vítima faz com que as pessoas adotem estratégias das mais diversas, muitas vezes abrindo mão da própria liberdade. Os números explicam o temor: reportagem recente publicada pela FOLHA mostrou que no Paraná o número de homicídios foi proporcionalmente maior do que no Rio de Janeiro e São Paulo. Na última quinta-feira, uma tentativa de assalto frustrada deixou uma mulher gravemente ferida no Centro da cidade. Na Zona Oeste, um médico vítima de sequestro-relâmpago foi obrigado a ir com os bandidos até uma agência bancária.
Estudiosos tentam encontrar explicações para os altos índices de violência. Há quem cite a pobreza e a falta de perspectivas. Entretanto, a sensação de impunidade é o grande incentivador para os malfeitores.
Levantamento feito com base em dados do Ministério da Justiça, a pedido do jornal ''O Globo'', mostra que, dos cerca de 50 mil homicídios cometidos por ano no Brasil, apenas 8% são resolvidos. Um número que deveria envergonhar as autoridades que respondem pelo assunto. Até 2007, foram pelo menos cem mil assassinatos sem solução em todo o País, muitos deles já prescritos - o prazo para julgamento previsto pelo Código Penal Brasileiro é de 20 anos -, segundo o jornal carioca.
De acordo com os especialistas, entre os fatores que prejudicam o esclarecimento desse tipo de crime estão: delegacias sucateadas, falta de estrutura das polícias técnicas, deficit do número de investigadores, inexistência de integração entre delegados, promotores e Justiça, além da conhecida burocracia.
No Paraná, tanto a prevenção quanto a investigação ficaram prejudicadas nos últimos anos devido à queda do efetivo policial. Enquanto entre 2000 e 2010 houve um aumento de mais de 800 mil habitantes no Estado, o número de policiais militares caiu 1,7 mil (-10%). A Polícia Civil perdeu 200 policiais em uma década. Assumir a redução é um grande passo, mas é preciso mais.
Na outra ponta dessa história estão famílias que vivem o sofrimento diário de ver livres os algozes de seus entes queridos. Até quando as autoridades ficarão inertes diante de tanto sofrimento? É necessário reestruturar o setor de segurança no País. A população merece viver sem medo.





