As eleições municipais já estão apresentando modificações na política. E são modificações para o bem, porque deixam mais claras as forças que agora vão se enfrentar, exercitar a ‘política-do-corpo’, vão se atracar como lutadores de ‘sumô’ na grande arena do Congresso Nacional.
A imprensa faz o papel do empresário Don King, aquele de cabelo espetado, parece, por um choque de 600 volts, que promove as lutas de boxe milionárias. Faz intrigas, simula bravatas, cria polêmicas para valorizar os seus pupilos. A cada dia o pessoal da imprensa se supera para criar clima com relação ao projeto da reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso.
Mas as forças que já estão se arregimentando para a grande disputa de 1998 pertencem basicamente à divisão clássica da direita, da centro-esquerda, centro-direita e da esquerda. O interessante são os novos personagens que integram esses grupos. Com as eleições para prefeitos estão surgindo novos valores. E isso é caso raro, porque normalmente eleição municipal não provoca modificações no quadro nacional, pelo menos a curto prazo.
No ‘meião’, no centro, centro-esquerda e centro-direita está o presidente Fernando Henrique e os partidos que fazem a sua sustentação - o PSDB, o PFL, o PMDB e outros partidos menores. Do lado mais conservador surge agora Paulo Maluf, com o seu PPB anabolizado com a vitória de Celso Pitta, em São Paulo. Maluf já está dando demonstrações de que não vai brincar em serviço e já faz os seus primeiros movimentos para se identificar como líder dessa parcela mais à direita. Na esquerda, além do PT também surge a novidade do PSB, o Partido Socialista Brasileiro, que fez conquistas importantes como a prefeitura de Belo Horizonte. O PSB é comandado pelo governador de Pernambuco, Miguel Arraes.
Maluf, já na semana seguinte a eleição, partiu com tudo para cima dos que defendem a reeleição já. Seu primeiro objetivo é tentar detonar esse projeto da reeleição. Para isso Maluf não chega a fazer pacto com o diabo, mas chega quase lá. Não se incomoda em se juntar com o PT para criar armadilhas para a reeleição. Para embananar mais o processo, o prefeito de São Paulo inventou que o PPB deve disputar a presidência da Câmara e lançou como candidato o deputado Delfim Netto.
Mas por enquanto os tucanos podem assistir de camarote essa primeira etapa da briga. O primeiro embate de Paulo Maluf, nessa reestréia no plano nacional, será com o PFL, o partido de Marco Maciel e de Antonio Carlos Magalhães. É que Maluf quer cativar os pefelistas, levá-los para integrar a sua turma do contra. Claro que o trabalho do prefeito de São Paulo não é com a cúpula. É com o baixo clero que sempre tem o espírito aberto para conversas desse tipo.
Só que acontece o seguinte: o PFL está muito bem obrigado no poder e não quer abdicar dele. Aliás, onde está o poder o PFL mora ao lado. Maluf vai tentar, mas vai ser difícil. O mesmo problema, Maluf vai enfrentar com o PPB, que tem vários deputados já comprometidos com a reeleição. Só que a política tem a sua própria dinâmica e qualquer tropeçada do grupo de FHC pode mudar as coisas imediatamente.
Fernando José Dias da Silva é jornalista da Agência
Estado.

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