NOVOS RUMOS, VELHOS PROBLEMAS - Faculdades falham na formação de advogados
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terça-feira, 20 de maio de 2008
Érika Gonçalves<br>Reportagem local 
Que a globalização trouxe mudanças, ninguém duvida. O que poucos imaginam é que essa tendência mundial alterou também as profissões, como a de advogado. Com a internacionalização dos capitais e com a economia mudando, o direito precisou mudar também.
Leandro Silveira Pereira, fundador do GVLaw, um programa de educação continuada da Escola de Direito de São Paulo, ligado à Fundação Getúlio Vargas, explica como essa mudança ocorre, como está organizado hoje o mercado da advocacia, e como os profissionais devem se comportar.
Como a economia modificou o direito?
Talvez o grande fator seja que cada vez mais o processo de internacionalização das economias é mais nítido e mais concreto. Cada vez mais as empresas precisam observar legislações, contratos que não necessariamente têm origem no Estado. Há também empresas que precisam captar recursos fora do país e deverão fazer seus balanços contábeis demonstrados não só como a legislação brasileira exige, mas também como a legislação internacional demanda.
O papel do advogado também mudou?
Um profissional deve estar atento a essas questões para poder não só orientar seus clientes, mas também antever mudanças, novas demandas e novas formas de atuação no mercado. Como essas inovações acontecem muito rápido, o profissional do direito também tem de estar capacitado a acompanhar esses ciclos cada vez mais dinâmicos. Hoje ele é um prestador de serviços e com isso a relação do advogado com o cliente também vai se modificando.
Como é o perfil desse novo advogado?
No Brasil, ainda a grande maioria dos advogados estão organizados em pequenas sociedades, mas com uma capacidade de atender o cliente em diversas questões. O advogado sai do papel do profissional consultado na hora de resolver um problema e se transforma em um profissional que está ao lado do empresário desde o primeiro momento.
Vão ser criadas novas áreas dentro do direito ou o direito empresarial vai absorver tudo?
O direito responde muito às inovações da economia e isso não quer dizer que vai se criar uma nova área. Talvez o conhecimento que já temos possibilite enfrentar essas novas áreas.
As faculdades estão preparadas para isso?
Essa é uma questão muito delicada. Temos um grande número de cursos de direito no Brasil, são quase 1.200 cursos de direito e uma infinidade de programas de pós-graduação. Os currículos de direito no Brasil são muito tradicionais, foram criados com a escola de Olinda e de São Paulo, e inovou-se muito pouco, não necessariamente estão preparando o aluno para esse mercado de trabalho internacionalizado, competitivo e complexo. O aluno se forma e vai buscar a complementação na pós-graduação, em uma outra graduação ou por meio da prática.
A saída para quem já atua são os cursos?
Acredito muito no que se chama de educação continuada. Voltar para a escola é uma necessidade, uma constante. Não necessariamente ir à sala de aula, mas atualizar-se, informar-se, ampliar seu repertório. O advogado deixa de ser um prestador de serviços jurídicos, ele precisa captar o cliente, precisa organizar o escritório, acompanhar as questões de tecnologia para tornar seu escritório mais eficiente, precisa se projetar socialmente para desenvolver credibilidade, ele precisa ser um estrategista para saber para onde o mercado está indo.


