Novos rumos do vestibular da UEL - Ana Misako Yendo Ito
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 31 de maio de 1999
Ana Misako Yendo Ito 
A Universidade Estadual de Londrina (UEL) foi a segunda colocada na relação candidato/vaga entre as universidades brasileiras de acordo com o MEC. Este fato, a ser amplamente comemorado, deve-se, a nosso ver, à qualidade do ensino ofertado pela UEL.
A maior ou menor procura por vagas em certos cursos está vinculada a índices como retenção, evasão, tempo de formação, atividades de pesquisa, extensão, estágios etc. Neste contexto, o mecanismo de seleção de candidatos é crucial: os cursos têm bom desempenho porque os alunos selecionados pelo vestibular têm bom potencial de desempenho ou é a grande demanda no vestibular que dá chance para selecionarmos os potenciais melhores candidatos?
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) abriu novas possibilidades ao admitir outras formas de processo seletivo de ingresso ao ensino superior, além do tradicional vestibular. Desde sua fundação, a UEL vem se utilizando da mesma modalidade de seleção: provas de múltipla escolha, com pequenos ajustes ao longo dos anos para dar conta de modificações requeridas pela lei.
Do ponto-de-vista institucional, a contratação de serviços da Fundação Carlos Chagas para elaborar as provas do vestibular da UEL, ao longo destes quase 30 anos, deu segurança, credibilidade e confiabilidade ao processo, por ser aquela instituição de renome nacional em sua área de atuação. Entretanto, do ponto-de-vista acadêmico e de envolvimento da UEL, deixou a desejar, porque o vestibular não atendeu a um dos princípios que devem regê-lo, qual seja o de ser parte do processo de interação da universidade com o ensino básico (fundamental e médio), especialmente do ensino médio. Além disso, a atual situação não induz a capacitação de recursos humanos para elaboração de provas e serviu para aprofundar a dicotomia entre o ensino médio e o ensino superior.
No início de 1998, houve o primeiro estudo para a promoção de mudanças no vestibular da UEL. Foi uma iniciativa importante, porque colocou o tema em pauta na UEL, embora, naquele momento, não tivessem ainda sido formalizadas em lei as Diretrizes Curriculares do Ensino Médio (aprovadas em junho de 98) e nem se tivesse aplicado, pela primeira vez, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o que só ocorreria em agosto de 98.
Chegamos à conclusão de que há necessidade de mudanças e devemos promover mudanças graduais, a partir do vestibular de julho de 99. Para este e o de janeiro de 2000, foram decididas duas alterações no sentido de corrigir as discrepâncias constatadas no estudo do ano passado: a adequação dos conteúdos listados no programa do Manual do Candidato para representar as propostas oficiais do Estado do Paraná e a elaboração de questões de provas que verifiquem mais do que a simples capacidade de memorização dos vestibulandos. Essas mudanças foram amplamente discutidas na Câmara de Graduação e aprovadas pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da UEL.
Para indicar as mudanças que devem ser feitas a partir de julho de 2000, iniciamos uma discussão mais ampliada, envolvendo tanto a comunidade interna da UEL como a comunidade externa, principalmente os responsáveis pelo ensino médio da região. Embora essas aproximações sejam ainda tímidas, estamos atingindo os objetivos propostos: promover interação entre docentes da UEL e da rede pública e privada e, ao mesmo tempo, avaliar o nosso vestibular para poder melhorá-lo, para que ele se torne cada vez mais justo e de acordo com as Diretrizes do Ensino Básico, assim como com as Diretrizes do Ensino Superior.
As Diretrizes do Ensino Fundamental, do Ensino Médio e do Ensino Superior apontam sempre para a mesma direção, expressas aqui em palavras-chave: interdisciplinaridade, contextualização, humanismo, ética e cidadania; formação para a vida e para a vida profissional; educação continuada e permanente; aproximações sucessivas com o mundo do trabalho e aluno como sujeito ativo da aprendizagem. O desafio é transformar o vestibular de tal forma que ele sirva de alavanca para que o sistema educacional atinja as características apontadas.
De que forma isto poderá ser feito? Adotando um sistema de avaliação seriada para acesso a uma parte das vagas da universidade? Adotando um vestibular de duas fases, com utilização opcional do desempenho obtido no Enem em uma das fases? Modificando o tipo de questões objetivas do atual vestibular, incluindo ou excluindo conteúdos? Fazendo vestibular por área? Ainda: a UEL deve elaborar e corrigir as provas do vestibular? A partir de quando?
São algumas das questões que levantamos. Assim, a partir da nova legislação, e em consonância com instituições universitárias líderes em nosso País, a UEL promove o Seminário Alternativas de Acesso ao Ensino Superior amanhã, dia 2, com o objetivo de aprofundar essas discussões.
Esperamos, junto com a sociedade, debater e achar as respostas mais sensatas e adequadas para o momento, a fim de continuar cada vez mais a oferecer o ensino de melhor qualidade.


