Novos posicionamentos
Com comportamento espontâneo e extremamente carismático, o papa Francisco chamou atenção do mundo e ganhou muitos simpatizantes. No entanto, as suas declarações mostram posições firmes que, até então, a Igreja se posicionava contrariamente. Ontem o papa admitiu que mulheres em tratamento contra o vírus da zika poderiam recorrer ao uso de contraceptivos. Segundo ele, o objetivo é evitar a disseminação do vírus. Ele, contudo, excluiu o aborto do debate. "É um pecado absoluto", taxou.
A América do Sul é a região mais afetada pelo vírus da zika, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, que também é vetor da dengue, febre amarela e da chikungunya. No Brasil já foram registrados milhares de casos; na Colômbia, estima-se em 31 mil. A zika tem sido ligada a casos de microcefalia em recém-nascidos, fator que tem levado autoridades a defender a liberação do aborto.
Essa, contudo, não foi a primeira declaração progressista de Francisco. Em outubro do ano passado, ele disse que a Igreja "não aponta o dedo para julgar os outros" e tem o dever de misericórdia. Ele não se referiu a nenhum grupo específico, mas foi interpretado como um sinal para as pessoas que vivem à margem das regras católicas: divorciados, homossexuais ou pessoas que vivem em uniões estáveis sem formalizar o casamento. É importante que a Igreja apresente certos posicionamentos porque demonstra que não está alheia à realidade enfrentada pela população.
Com estilo simples e com linguagem mais fácil que seu antecessor Bento 16, percebe-se que o Papa pretende se aproximar mais das pessoas. Fator de extrema importância, até mesmo porque no Brasil um dos países com maior número de fiéis católicos há um significativo crescimento dos evangélicos. Deve-se lembrar que não se trata de defender a queda de valores defendidos pela Igreja. No entanto, é fato que é preciso discutir certos conceitos até mesmo para acompanhar a evolução da sociedade.





