Novos passos rumo à vida
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de junho de 2010
Bruno Maffi<br>Reportagem Local 
Maringá Precursor em cirurgia fetal, operando dentro do útero e externando o útero para operar, o médico e pesquisador Carlos Gilberto Almodin foi o criador da prática de transplante de ovário, que recebeu seu nome, Técnica de Almodin, e é utilizada em vários países. Agora o médico está divulgando o fruto de outra pesquisa, que durou oito anos: uma técnica inovadora na conservação de óvulos. Até a descoberta do pesquisador, apenas embriões e espermatozóides podiam ser armazenados, passando por procedimentos onde eram congelados. Os óvulos, quando eram submetidos a isso, morriam.
Para o congelamento de embriões e espermatozóides é utilizada uma máquina que custa mais de U$ 80 mil, o que torna o procedimento caro. A nova opção, desenvolvida pelo médico, utiliza uma máquina criada por ele mesmo, que custa R$ 1,2 mil. A técnica é extremamente simples e reduz o custo do tratamento de fertilização em pelo menos 50%.
Quando o trabalho de fertilização in-vitro foi iniciado, era realizada uma coleta de 10 óvulos da paciente, em média, e todos eram fecundados. Naturalmente, nem todos se tornavam embriões. A taxa era ruim, às vezes apenas sete se tornavam embriões. Com o passar dos anos a técnica foi aprimorada, mas se pensava em congelar apenas embriões. A máquina utilizada para esse procedimento é computadorizada e baixa a temperatura lentamente. O líquido presente no embrião vira gelo, mas ainda assim ele sobrevive.
Uma pausa na vida
O processo de vitrificação de óvulos é diferente do congelamento. Antes do início das pesquisas, se pensava que o embrião era muito mais frágil que o óvulo, e isso foi desmistificado. O óvulo é mais sensível porque tem mais líquido, água e lipídio dentro dele e no processo de congelamento os cristais de gelo destroem toda sua estrutura. Em todas as tentativas que praticamos o óvulo morria. Vimos que o processo de congelamento não seria possível. Teríamos que inventar outro sistema.
O processo de vitrificação é simples. O óvulo é mergulhado em uma sequência de soluções, onde a viscosidade chega a um extremo que impede qualquer tipo de movimento interno em seu núcleo. Depois ele é submetido a uma baixa de temperatura feita de forma muito rápida. No congelamento a temperatura chega a cerca de três graus por minuto. Na vitrificação passa a vinte e quatro mil graus por minuto. Há um choque térmico violentíssimo. É como uma pausa em um filme. Parada imediata. Para a desvitrificação é feito um aquecimento, onde são removidas as soluções crio-protetoras. A taxa de sobrevivência é excelente.
Opção ética
O congelamento de embriões sempre gerou um questionamento moral, ético e religioso, onde a ciência, a consciência e a fé entram em conflito. A questão é: o que é correto e errado nos avanços das práticas pela vida? Como sou católico sempre tive problemas em manusear embriões. Queria não precisar usar o congelamento, explica o médico.
Almodin cita os problemas mais comuns, ligados a essa prática. Pensemos em um casal que por algum motivo congelaram embriões. Aí eles se separam e os dois não querem mais ter esses filhos. Outra situação é se um dos dois morre, ou pior, morrem os dois. Um caso mais simples é já terem engravidado de gêmeos e decidem não ter mais filhos. Que fazemos? Embrião é uma vida. Como descartamos isso?
No fim do ano passado algumas clínicas da Inglaterra entraram na justiça pedindo para descartar embriões que não seriam mais utilizados, devido ao alto custo financeiro para esse armazenamento. A Suprema Corte deu o parecer que metade deveria ser descartada e a outra metade usada em pesquisas. Eu não quero chegar a isso. Não quero submeter nenhuma vida humana à morte.
SERVIÇO
Dr. Carlos Gilberto Almodin
Clínica Mater Baby
Av. XV de Novembro, 1232 - Centro
Maringá-PR
Fone: 44 3224-3992


