Novos motoristas sofrem para tirar CNH
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sábado, 19 de julho de 2003
Gilmar Agassi<br>Reportagem Local 
Os londrinenses continuam enfrentando muitas dificuldades para obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A grande maioria reclama das exigências feitas, principalmente, durante os testes práticos, quando, segundo eles, qualquer deslize é suficiente para a reprovação, o que leva à realização de um novo teste. E o pior não é fazer as provas novamente, mas sim ter que pagar novas taxas. Alguns chegam a colocar em dúvida a lisura do teste, já que a reprovação, de alguma forma, acaba sendo benéfica para os Centros de Formação de Condutores (CFCs) e para o próprio Departamento de Trânsito (Detran) que aumentam seus lucros.
Atualmente, um candidato a retirar a carteira de motorista gasta, em média, R$ 500,00, para obter a permissão para conduzir veículos das categorias A e B, motocicletas e automóveis pequenos, respectivamente. No caso de reprovação, são necessários outros R$ 80,00, para que seja realizado um novo teste, sem contar os gastos com novas aulas práticas. Cada aula prática, com duração média de uma hora, pode custar até R$ 30,00, ao candidato.
Números fornecidos pelo próprio Detran comprovam que o índice de reprovação em Londrina é elevado, apesar de não ser muito diferente das porcentagens apresentadas em outros grandes centros, como Curitiba e Maringá. Tanto na capital do Estado como em Londrina, a média anual de candidados reprovados nos exames para retirada da CNH gira em torno de 40%. Já em Maringá, segundo a assessoria de imprensa do Detran, o índice de reprovação é de 35%.
Porém, uma análise mais detalhada demonstra que em alguns meses o índice de reprovação, em Londrina, é bem maior. Em março desse ano, 1.282 candidatos realizaram o teste prático, sendo que somente 54% foram aprovados, ou seja, 606 pessoas (46%) não foram aprovadas e precisaram realizar novamente a prova prática de direção. Em maio, de 1.509 pretendentes que passaram pela prova de percurso e de baliza, somente 860 foram aprovados, um total de 57%. No mesmo mês, em todo Paraná, 31.157 pessoas fizeram a prova prática e 22.433 foram aprovadas, alcançando 72% do total.
A jornalista Cida Bertolla, 42 anos, precisou repetir a prova prática por quatro vezes até que conseguiu passar no exame e, finalmente, retirar sua carteira de habilitação. Ela reclamou da forma rigorosa com que os fiscais do Detran aplicavam o teste, sempre descontando pontos, independente do grau do erro cometido. ''Acho que gastei mais de R$ 800,00 para retirar minha carteira'', frisou.
O oficial de Justiça, Evandro Cerrez Vicente, 27 anos, reprovou duas vezes no teste prático e somente na terceira tentativa conseguiu ser aprovado. Ele reclamou que gastou muito com as aulas práticas. ''Acho que a qualidade do CFC não era das melhores. Eles diziam que eu estava preparado, mas chegava na hora da prova não conseguia passar'', observou.
Um outro candidato, que pediu para não ser identificado por ainda estar tentando retirar sua CNH, colocou em dúvida os interesses do CFC em ter o aluno aprovado no primeiro teste. ''Não vou dizer que todos CFCs da cidade prestam um mal-serviço. Mas não resta dúvida que alguns não preparam a pessoa adequadamente para que seja necessário fazer mais aulas e dar mais lucro'', afirmou.


