NOVOS MODELOS - A educação em tempos de internet
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 27 de março de 2008
Thiago Nassif<br>Reportagem Local 
A internet chegou e os tempos mudaram radicalmente. Na era do Orkut, do iPod e dos programas de mensagem instantânea, surge um grande desafio no meio educacional: como prender a atenção dos alunos da educação infantil?
Para a diretora educacional e co-autora do livro ''Projeto Marista para a Educação Infantil'', Isabel Cristina Michelan Azevedo, é impossível promover a ''blindagem'' das crianças em relação aos ''manufaturados'' atuais. A questão que deve ser discutida é como incorporá-los, de forma saudável, ao dia-a-dia das escolas. ''A escola não pode ser uma ilha isolada da realidade'', sublinha.
Como fazer, pensar e praticar a educação infantil?
Em primeiro lugar, é preciso acreditar que os pequenos são fortes e capazes de criar conhecimentos e significados para o mundo por meio das interações que realizam com os objetos, entre eles, com os adultos. Então, pensar e praticar a educação infantil hoje é um exercício contínuo de investigação e aprendizado, fundamentados na observação da prática e em estudos de diferentes áreas do saber, pois o sujeito é um ser complexo que não pode ser explicado por uma única disciplina.
Não há fórmula para lidar com isso...
As transformações socioculturais que estamos vivendo mostram que não há fórmula capaz de prever todas as necessidades, potencialidades e desafios que teremos pela frente. As projeções mais precisas que temos para o futuro são as que afirmam ser preciso formar indivíduos capazes de lidar com as incertezas, dispostos a aprender sempre e competentes para o trabalho em equipe. Ou seja, é preciso garantir o desenvolvimento de competências que poderão ser aplicadas a muitas e diferentes áreas de atuação.
Estamos diante da geração iPod, MSN, Orkut e outras parafernálias, como celulares cada vez mais modernos. As tecnologias têm de ficar fora de sala de aula?
Não mesmo. A escola não pode ser uma ilha isolada da realidade, contudo precisamos descobrir novos modos de como integrar as tecnologias ao ambiente escolar e como modificar os usos que assumem no dia-a-dia. Cada um dos recursos disponíveis no mundo pode e deve ser re-significado no cotidiano da sala de aula, para que os alunos possam aprender variadas formas de interação com eles e também sejam críticos em relação à influência que exercem em suas vidas.
A propósito: da mesma maneira que tivemos crianças influenciadas por Xuxas, Angélicas e demais ícones, nas décadas passadas, hoje vemos as Britneys, Beyoncés, RBDs e demais estrelas no gosto da criançada. É possível promover uma ''blindagem''?
Impossível. A idéia não é impedir, mas oferecer outros modelos às crianças. Ao ampliar as possibilidades de observação, comparação e análise do mundo, os pequenos terão condições de participar ativamente da realidade, pois aprenderão a ver criticamente o meio que os circunda para interagir de maneira consciente, o que certamente colocará tais ''estrelas'' em seus devidos lugares.
Qual o papel do aluno da educação infantil?
É um papel ativo no sentido de ser um co-construtor de conhecimentos, significados e realidades.
E o professor, ainda é a figura central?
O aluno está no centro de todas as atenções hoje, mas o professor tem o importante papel de ser um mediador qualificado que contribui significativamente nas interações dos alunos. Além disso, o professor precisa ser um investigador da própria prática e da realidade dos alunos.


