Novos indícios de inflação
Não dá para ignorar a existência de precondições para o aumento da inflação. Não se trata de vaticínio agourento, mas alguns itens básicos tiveram remarcações na última semana de dezembro. Isto deve ser debitado ao aquecimento da demanda, natural no período. Nada assustador porque o mercado interno tem grande variabilidade de opções. Assim, a lei da oferta e procura se encarrega da estabilidade. Até certo ponto, porque no caso dos alimentos considere-se a sazonalidade agrícola de itens básicos.
Como antídoto, é imprescindível que o governo não aumente os preços tarifados. Em geral os preços oficiais é que puxam os demais, gerando a espiral inflacionária. Combustíveis, por exemplo, uma alta agora, neste trimestre, nem pensar.
E tem a variável externa exercendo alguma influência. Ontem, por exemplo, o Banco Central mostrou-se preocupado com o que acontecerá com a inflação mundial. O processo de redução nos índices de preços - causado pela crise financeira - parece estar acabando e a chance de uma aceleração inflacionária é cada vez maior, influenciada pela oferta de dinheiro circulando no mundo e pela alta do preço das commodities. O novo cenário poderá se configurar em novo período de aceleração dos preços.
Não há indícios fortes de que a inflação mundial chegue aqui. O problema que o BC enxerga - esta análise deve estar na mídia hoje - é que, com a trajetória ainda que lenta, de recuperação da economia mundial, os preços subam por conta, também, das políticas de juros baixos praticadas em países como o Brasil, para reduzir o impacto da crise.
Sobre as remarcações agora: devem transparecer suavemente nas médias. Mas devem. Como a apuração dos indicadores do IPCA trabalha com médias, tais aumentos são diluídos. No entanto - metodologia à parte -, isoladamente, isto é, no seu peso específico, esses aumentos impactam no baixo poder aquisitivo.
Os técnicos acrescentam uma terceira condição e se preocupam com ela. Fora do mercado, levam em conta que o ano é político; que há uma euforia em torno da Copa e que o brasileiro viverá momentos de gastos por impulso.





