É natural que em períodos de crise econômica a população reduza e modifique hábitos de consumo. Se em tempos de crescimento os brasileiros passaram a incluir em suas compras produtos de maior valor agregado e que garantiam uma vida mais confortável, como automóveis, eletrodomésticos e eletrônicos, agora a avaliação é que este é o momento de "pisar no freio". Também pudera, inflação em alta – puxada principalmente pelo aumento das tarifas controladas (água e energia elétrica) –, temor do desemprego ou desemprego real.
Além disso, se antes a nova classe C contou com amplo acesso ao crédito, agora esse dinheiro está mais restrito e ficou muito caro. Sem dúvida, é preciso reajustar o orçamento doméstico. No entanto, a despeito do atual cenário enfrentado pelo País – com a instalação das crises econômica e política –, o pior de todos os cenários é a "crise de confiança". Tanto empresários como trabalhadores não acreditam em mudança de perspectiva. E isso precisa ser revertido urgentemente.
Importante lembrar que a atual crise – assim como todas as outras – é passageira. O momento pode ser de adaptações e mudanças de comportamento, seja comprando menos, esperando promoções ou trocando marcas mais caras por mais baratas, mas para o empresariado pode ser também de oportunidades. Investir em produtos alternativos e reduzir custos de produção são atitudes sadias em qualquer momento econômico. E, quando a economia voltar a crescer, as empresas certamente estarão mais preparadas.
Já as famílias, principalmente as integrantes dessa nova classe C, estão acostumadas a fazer ajustes no orçamento. As donas de casa sabem bem como lidar com as variações da renda e dos preços. É claro que não é fácil, recuar o consumo e modificar padrão de vida sempre é difícil, mas o que não se pode perder é a certeza de que as coisas vão voltar a melhorar. Criatividade e esperança são duas características marcantes dos brasileiros que não podem se perder.

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