É indiscutível que a vida dos brasileiros melhorou na última década. O aumento da oferta de empregos e da renda da população pode facilmente ser traduzido em exemplos relatados diariamente na imprensa e nos números divulgados pelos órgãos de pesquisa. Segundo o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social, o Produto Interno Bruto do Estado deve crescer 4,10% até o final do ano, ante uma projeção nacional de 3,10%. Já o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima aumento de 9% nas vendas do comércio varejista em 2011, enquanto o movimento no Paraná deve ficar na casa dos 10%, segundo a federação estadual do comércio.
Em parte este crescimento da economia e das vendas do varejo são sustentadas pela classe C (famílias com rendimentos mensais que variam de R$ 1.200 a R$ 5.174). Esta é a parcela social que mais cresce no País e corresponde a 55% do total da população brasileira, segundo o IBGE. É um novo nicho de mercado, que já tem sido explorado pelas empresas, uma vez que essa parcela da população está interessada em novos produtos e serviços que antes não tinham acesso. Basta observar o cenário de regiões antes tidas como de baixa renda, para constatar academias de ginástica, pet shops, escolas de línguas estrangeiras, entre vários outros serviços.
É um fator positivo, que demonstra uma melhora real da qualidade de vida, antes focada apenas na sobrevivência. Mesmo assim, pesquisa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil avalia que nem todo o potencial de consumo da classe C tem sido aproveitado porque estes consumidores não são responsáveis por metade do consumo agropecuário.
No entanto, o desafio é promover o crescimento sustentado da renda das famílias. Como já afirmado neste espaço por diversas vezes, os programas de distribuição de renda, de fato, contribuíram para melhorar a vida dos brasileiros. Mas é preciso avançar. A Previdência Social, cujos deficits são divulgados frequentemente, não pode continuar arcando com esses programas sociais indefinidamente. É preciso investimento em qualificação profissional e na educação de crianças e jovens.

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