Novo pedágio cala voz das concessionárias
Como declara a este Jornal o presidente do Sindicato das Empresas de Serviço, Contabilidade, Auditoria e Perícia de Londrina, Joaquim Ribeiro, o leilão das novas rodovias a serem pedagiadas colocou um grande ponto de interrogação na cabeça dos paranaenses. A baixa tarifa apresentada pelas novas concessionárias - seis estrangeiras, entre as sete que se habilitaram - teve efeito bombástico e revelou o que a FOLHA sempre tem dito: que as tarifas das atuais concessionárias são escorchantes. Tanto que o jornal recebeu centenas de manifestações de aplausos.
O grupo espanhol OHL Obrascom Huarte Lain Brasil Concessiones fez a proposta de R$ 1.028 por praça, enquanto as tarifas hoje vigorantes (para os veículos médios) vão de R$ 4,30 a R$ 10,90. ''Pedágio é roubo'', viria a proclamar o governador Roberto Requião, para denunciar o triste legado do governador Jaime Lerner, um inominável absurdo que até agora, 9 anos depois, não encontra resposta à luz da sensatez. Desde então Requião veio lutando para reverter as coisas, mas perdeu todas as causa na Justiça.
Jaime Lerner não pesquisou tarifas externas (em países onde o pedágio já era tradicional) e entregou às concessionárias rodovias já prontas, permitindo-lhes cobrar desde a primeira hora, sem nenhuma obra infra-estrutural realizada pelas concessionárias (a não ser as bancas arrecadadoras) e - absurdo dos absurdos - cobrar tarifas cheias. Não se conhece no mundo um modelo idêntico. Tudo isto a FOLHA DE LONDRINA veio denunciando desde que este modelo de pedágio foi implantado, mas encontrando ouvidos moucos no âmbito parlamentar paranaense - que nunca pronunciou uma palavra sequer a respeito. Assim foi também com as bancadas do Paraná em Brasília. Quanto às autoridades judiciárias, estas seguiram a letra dos contratos.
Com a revelação tarifária baixa dos novos contratos (em sete trechos no Brasil, sendo dois no Paraná), tudo o que as atuais concessionárias defenderam no que se referiu às tarifas (corretas segundo elas) desmorona-se como castelo de areia. Agora existe argumento concreto para ser colocado à mesa ante a posição radical e sistemática das concessionárias, que vieram ironizando a tudo e a todos.
Se estão estribadas em contratos, certo é que as empresas perderam força de voz, e poderão contra-argumentar o quanto desejarem mas sabem que não encontrarão respaldo para a farsa de que tiveram prejuízos. Não com tarifas de 4 a 10 vezes maiores do que aquelas que as concessionárias dos novos trechos irão operar.





