Novo modelo pode ter sido responsável pela crise de 2001
Na transição para o novo modelo, a ampliação da capacidade de geração de energia deixou de ser uma responsabilidade das empresas geradoras que seguiam um planejamento centralizado, procurando manter o risco de algum racionamento em até 5%. A expansão da oferta energética passaria a ser efetuada a partir da iniciativa das empresas distribuidoras, que teriam interesse em contratar energia a longo prazo para atender à demanda energética crescente de seus consumidores.
Com o objetivo de incentivar a construção de novas usinas, evitando contratos especulativos que poderiam diminuir a confiabilidade de atendimento, a nova regulamentação exige que a energia e a potência contratadas tenham o respaldo de uma geração física capaz de assegurar os respectivos suprimentos. No caso de geração hidrelétrica, este respaldo corresponde à energia assegurada da usina. No caso de usinas térmicas, o respaldo é dado pela capacidade de produção contínua da usina (inferior à capacidade instalada).
''A exigência de um respaldo físico, aliada à evidência de que não foi construída a geração adicional que seria necessária para o atendimento confiável do consumo, permite concluir que parte do consumo previsto das distribuidoras não poderia estar contratado na transição para o novo modelo setorial, já que a oferta existente era insuficiente'', diz a advogada da Pro Teste Associação Brasileira de Defesa do Consumidor, Flávia Lefévre Guimarães.
Como acreditava-se que a necessidade de energia estava quase 100% contratada, as distribuidoras não tiveram incentivo para promover a expansão da oferta que compensasse o desequilíbrio inicial da transição para o novo modelo. ''As energias asseguradas que respaldaram os contratos iniciais foram superdimensionadas, resultando numa sinalização equivocada para a contratação de nova geração.''





