Novo governo vai rever financiamento estudantil
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segunda-feira, 02 de dezembro de 2002
Júlio César Barros<br> Agência Folha 
SÃO PAULO O presidente da Abruc (Associação Brasileira das Universidades Comunitárias), Antônio Carlos Caruso Ronca, disse na última semana que o futuro governo irá promover modificações no Fies (Programa de Financiamento Estudantil do governo federal) ainda nos primeiros 100 dias de mandato. Segundo Caruso Ronca, presidente da Abruc, ficaram acertados mudanças no Fies. ''A nosso pedido, o governo eleito se comprometeu a revisar o programa de financiamento. A idéia é reavaliar e desvincular o resgate de títulos ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social)'', disse ele.
Um dos responsáveis pela coordenação da equipe de transição na área de educação, Newton Lima Neto, cotado para ser ministro da Educação, afirmou ontem que o Fies deve acabar, porém isso só deverá ser feito após a criação de um novo modelo de financiamento que substituirá o atual. ''Devemos desburocratizar o Fies, que é insuficiente. Também iremos triplicar o apoio financeiro aos alunos da rede privada.
A forma de pagamento do Fies é um dos maiores problemas do programa, criado em 1999. O MEC (Ministério da Educação) repassa o valor do financiamento por meio de títulos do Tesouro Nacional que servem apenas para o pagamento da dívida do INSS. Segundo os dirigentes das universidades, receber títulos não é um bom negócio e isso tem contribuído para que o Fies perca força entre as instituições, que diminuíram a adesão ou até mesmo desistiram por estarem se sentindo prejudicadas pelo programa.
''A maioria das instituições está com as contas certas e esses títulos se acumulam ano a ano'', diz Ronca. Apesar de uma Medida Provisória prever a compra de 50% desses documentos, algumas universidades não conseguem resgatar o valor devido à burocracia imposta pelo MEC.
O presidente da Abruc afirmou ainda que o encontro foi muito importante, pois marcou o início de uma relação mais próximas com o governo federal. ''O atual governo não nos ouviu. Só fomos procurados na época de crises, quando não havia muito a ser feito'', queixou-se, admitindo ainda que a educação brasileira perdeu com essa falta de dialogo.
Outro ponto que mereceu destaque foi o crescente aumento da inadimplência por parte dos alunos que participam do Fies. ''O presidente eleito está empenhado a diminuir a quantidade de jovens que deixam o ensino superior por falta de dinheiro'', diz Lima.
O encontro entre Lima e os reitores da Abruc aconteceu durante a assembléia anual da entidade, que representa 38 instituições de ensino superior católicas, metodistas e PUCs, onde estudam mais de um milhão de estudantes.


