Uma vez mais a figura mais que notória do Sr. Ricardo Sérgio volta a ocupar as manchetes sensacionalistas da imprensa. Desta vez, o encarregado de conseguir recursos para a campanha do Sr. José Serra ao Senado teria achacado um empresário, pedindo propina de R$ 15 milhões para conseguir a entrada de recursos dos fundos de pensão na privatização da Companhia Vale do Rio Doce.
A questão, vale observar, não pode mais ser entendida como recurso usual em períodos pré-eleitorais, uma maneira de conseguir afundar toda uma candidatura, como, por exemplo, ocorreu com a de Roseana Sarney.
Para nós, é questão tranquila: desde que lutou despudoradamente pela reforma constitucional que permitiu sua reeleição, o Sr. Fernando Henrique fez naufragar seu barco de promessas, transformando-o nessa carroça de fraudes que o próprio governo tem que arrastar até o fim de seu mandato.
Desde então, e isto continua mais que claro, a possibilidade de usufruir as maiores vantagens concedidas pelo governo da República fez com que os cofres públicos se abrissem, num conhecido jogo de toma-lá-dá-cá simplesmente nauseabundo.
O governo assistiu a cassação do mandato de deputados envolvidos na compra e venda de votos para a emenda da reeleição. Mas não admitiu, em nenhum momento, que se montasse uma CPI para averiguar o que de fato ocorreu. No ano passado, mais um movimento de bastidores - embora nada sutil, diga-se a bem da verdade - impediu que se montasse a CPI da Corrupção, com o que, sem sombra de dúvida, se poderia impedir - e este é apenas um exemplo - as fraudes arquimilionárias em que esteve envolvida a Sudam, Jáder Barbalho entre outros.
Seria o instante privilegiado para que se colocasse à boa luz do dia as ações, até agora inexplicadas, não apenas do Sr. Ricardo Sérgio, mas de seus padrinhos no Planalto, Eduardo Jorge e Clóvis Carvalho. O governo está chegando ao fim, se é que já não teria acabado. Não tem mais o poder de premiar seus áulicos, e a própria política franciscana do é dando que se recebe está combalida.
Mas o Sr. Fernando Henrique precisa entender que o governo não pode acabar de forma tão melancólica, uma vez mais envolvido em escândalos e seguir patrocinando uma candidatura presidencial que está no olho mesmo do furacão. Ao contrário, tem que estimular os parlamentares que ainda compõem sua base de sustentação no Congresso a que definam, de pronto, uma Comissão Parlamentar de Inquérito que apure essas denúncias, que não deixe, uma vez mais, que tais denúncias, não esclarecidas, enodoem ainda mais o campo governista, o que, ao fim e ao cabo, recairá nas costas do próprio presidente da República.
RUBENS BUENO é deputado federal e presidente do PPS-PR

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