A Ferrari nem acabou ainda a construção do carro que deve dar a Michael Schumacher a chance de ser o campeão do mundo de 97 e já há discordâncias sobre ele na Itália.
Na última edição da influente revista Autosprint, por exemplo, o editor-chefe questiona, na capa, o projetista do F-310/2: ‘‘Chega John Barnard’’, é o título. Ao saber que o modelo de 97 usará os braços de suspensão em fibra de carbono, em vez da tradicional liga metálica, o jornalista Alberto Antonini, profissional de trânsito livre dentro da Ferrari, diz que é hora de dar um basta às idéias revolucionárias do engenheiro inglês.
A argumentação do texto é a de que, com um piloto como Schumacher na Ferrari, não é necessário conceber um carro com tecnologia de ultravanguarda. Os triângulos das suspensões em fibra de carbono exigem cuidados especiais, sem que se tenha a certeza de que eles ajudem a melhorar o desempenho do conjunto. ‘‘A Williams não o utiliza’’, publica a revista, embora cite que a McLaren e a Jordan já adotam essa tecnologia. ‘‘Não é preciso soluções extremas, basta um Fórmula 1 convencional, sem erros como o deste ano, para Schumacher, com sua notável capacidade, compensar eventuais atrasos em relação aos concorrentes’’ - escreve Antonini.
A reportagem lembra que o F310/2 será o quarto modelo de Barnard na Ferrari, nessa sua nova fase na escuderia de Maranello. Ele já havia trabalhado lá de 87 a 90. ‘‘Barnard disse que o seu terceiro carro permitiria à Ferrari disputar o título, estamos já no quarto’’. A falta de sequência à concepção técnica adotada nos modelos antecedentes aos novos foi apontada na matéria como a causa principal de a Ferrari evoluir menos que seus adversários. O ataque a Barnard aborda ainda a idade do engenheiro.
‘‘Ele não tem mais quarenta anos, mas cinquenta, as vitórias hoje são o resultado de um trabalho de equipe e não de um gênio isolado’’.

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